Tomar café faz parte da rotina de grande parte da população e, segundo novas evidências científicas, esse hábito pode ter relação com a saúde do cérebro ao longo dos anos. Um estudo recente publicado na revista JAMA, citado pelo portal Science Alert, indica que o consumo diário e moderado de cafeína está associado à redução do risco de demência e de declínio cognitivo em adultos acompanhados por várias décadas.
Por que beber café todos os dias diminui o risco de demência?
Segundo o estudo, participantes que consumiam mais café com cafeína apresentaram cerca de 18% menos risco de desenvolver demência em comparação com aqueles que bebiam muito pouco ou não consumiam a bebida. Entre os demais voluntários, quem ingeriu café ou chá com cafeína mostrou desempenho superior em testes de memória, atenção e outras habilidades cognitivas.
Não foi encontrada relação semelhante em quem optava por café descafeinado, o que indica que a cafeína parece ser o componente ligado ao menor risco de demência e ao declínio cognitivo mais lento. Os profissionais responsáveis pelo trabalho destacam, porém, que os mecanismos exatos dessa proteção ainda estão em investigação e que a cafeína não deve ser vista como solução isolada.
Qual é a quantidade ideal de café por dia para proteger o cérebro?
A análise aponta que a faixa considerada segura e potencialmente benéfica situa-se em torno de 2 a 3 xícaras de café por dia, valor que também está alinhado a diretrizes internacionais de consumo máximo de cafeína em adultos saudáveis.
Acima desse limite, não foram observados ganhos adicionais relevantes, e os efeitos positivos pareciam estabilizar. Além disso, o café é apenas uma peça do “quebra-cabeça” da saúde cognitiva, que também inclui alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, controle de doenças crônicas e estímulos mentais constantes.
Como o estudo foi conduzido?
A pesquisa acompanhou dados de 86.606 mulheres e 45.21 homens, com informações coletadas desde a década de 1980. O consumo de cafeína foi estimado por meio de questionários aplicados a cada 2 a 4 anos, em que os participantes relatavam quantidades de café, chá e outras fontes de cafeína ingeridas regularmente.
Ao longo do tempo, foram registradas queixas de memória, alterações na concentração e resultados em testes cognitivos padronizados. Um achado relevante foi a ausência de associação entre alto consumo de cafeína e efeitos negativos marcantes, sugerindo uma margem de segurança para a maioria das pessoas, respeitando limitações individuais e condições pré-existentes.
O que outras pesquisas indicam sobre os impactos café?
Os resultados publicados na JAMA se somam a evidências de trabalhos anteriores em diferentes populações. Uma análise envolvendo mais de 20 mil pessoas do banco de dados UK Biobank indicou que quem consumia café tinha 34% menos risco de desenvolver Alzheimer e 37% menos risco de Parkinson em comparação com indivíduos que não mantinham esse hábito.
Apesar dessa consistência, a relação entre café e menor risco de demência não significa garantia de prevenção. Fatores como genética, estilo de vida, histórico de doenças cardiovasculares, nível de escolaridade e qualidade da alimentação continuam sendo determinantes para a saúde cerebral ao longo da vida.
Como incluir o consumo de café na rotina de forma segura e equilibrada?
Diante das evidências disponíveis, o café aparece como um aliado potencial no cuidado com a mente, desde que inserido em um contexto de hábitos saudáveis. Para quem tolera bem a cafeína, algumas orientações práticas ajudam a aproveitar melhor esse recurso sem exageros e respeitando a individualidade.
A seguir, veja alguns cuidados simples que podem orientar o consumo diário de café de maneira segura, favorecendo a cognição e reduzindo riscos associados à cafeína em excesso:
- Manter o consumo diário em torno de 2–3 xícaras, salvo orientação médica específica.
- Evitar café forte em excesso no fim da tarde ou à noite, para não prejudicar o sono.
- Observar sintomas como palpitações, ansiedade, azia ou insônia, que podem indicar sensibilidade à cafeína.
- Preferir beber café sem excesso de açúcar e evitar associá-lo a alimentos ultraprocessados.
- Integrar o café a uma rotina com alimentação balanceada, exercícios regulares e estímulos mentais constantes.