O afastamento cautelar do ministro Marco Aurélio Gastaldi Buzzi pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em decisão anunciada nesta terça-feira (10/2) abriu um novo capítulo no debate sobre responsabilização de autoridades do alto escalão do Judiciário diante de acusações de assédio e importunação sexual.
Como a decisão do STJ de afastar o ministro foi motivada?
Segundo informações oficiais do STJ, o afastamento do ministro é classificado como medida cautelar, temporária e excepcional, embora fixado por prazo indeterminado. Nesse período, Buzzi não poderá frequentar o local de trabalho, usar veículo oficial ou exercer prerrogativas do cargo.
A decisão foi tomada em sessão extraordinária, fechada, com participação de 27 ministros, todos favoráveis ao afastamento cautelar. O Tribunal, composto por 33 ministros, informou que quatro deles tiveram ausências justificadas, reforçando o caráter colegiado e institucional da medida.
Como funciona o procedimento interno de sindicância no STJ?
O processo administrativo em andamento é conduzido por uma Comissão de Sindicância, que analisa depoimentos, documentos e demais elementos sobre as denúncias de assédio e importunação sexual. A avaliação é preliminar, sem antecipar juízo definitivo de culpa ou inocência.
A decisão colegiada pelo afastamento indica preocupação com a preservação da apuração e da credibilidade institucional do STJ. Nesses casos, o tribunal busca evitar qualquer interferência do investigado no ambiente de trabalho ou nas possíveis vítimas e testemunhas.
Quais serão os próximos passos da investigação?
O STJ já definiu um marco temporal: em 10 de março de 2026, o Pleno deverá se reunir para deliberar sobre as conclusões da Comissão de Sindicância. Até essa data, o afastamento de Buzzi permanece em vigor, sem previsão de retorno às funções judicantes.
Nessa sessão futura, os ministros analisarão o relatório final, que pode recomendar arquivamento, aplicação de sanções disciplinares ou encaminhamentos adicionais, inclusive a outros órgãos de controle. O rito segue etapas típicas de processo administrativo disciplinar em tribunais superiores.
Quais impactos o afastamento de um ministro do STJ gera para o Judiciário?
O afastamento de um ministro do STJ por acusações de assédio e importunação sexual produz efeitos que ultrapassam a esfera interna da Corte, atingindo a imagem do Judiciário e o debate público sobre violência de gênero. Integrantes do Tribunal relataram profundo constrangimento com a situação, sobretudo pela proximidade pessoal com o acusado.
A condução desse caso é vista como um teste para os mecanismos de controle e de responsabilização de altas autoridades. O modo como o STJ age tende a influenciar protocolos de prevenção, canais de denúncia e a confiança de servidores, sociedade civil e opinião pública nas instituições.
Qual será a resposta institucional?
Especialistas e observadores do sistema de Justiça acompanham o caso Buzzi como referência para futuras denúncias de assédio no Judiciário. A forma de investigação, a transparência das decisões e os desdobramentos sobre a carreira do ministro são elementos centrais desse acompanhamento:
- O grau de detalhamento das apurações da Comissão de Sindicância e a proteção das possíveis vítimas;
- O impacto das conclusões sobre a carreira e a permanência do ministro no cargo;
- O efeito do caso sobre futuras denúncias de assédio e importunação sexual no Judiciário;
- A transparência das decisões adotadas e o recado institucional sobre responsabilidade de altas autoridades.