O anúncio da possível abertura da ponte Gordie Howe, entre Estados Unidos e Canadá, ganhou um novo capítulo após declarações do presidente norte-americano Donald Trump na segunda-feira (9/2), que ameaçou condicionar a inauguração da estrutura a um novo acerto político e financeiro entre Washington e Ottawa.
Como foi a ameaça de Trump à ponte Gordie Howe?
Segundo o presidente, os Estados Unidos deveriam ser donos de “pelo menos a metade” da ponte, apesar de o projeto ter sido financiado pelo Canadá em parceria com o estado de Michigan. Ao associar a abertura da Gordie Howe a uma compensação “total” aos EUA e a uma suposta falta de respeito do Canadá, Trump acendeu um debate sobre comércio, soberania e infraestrutura na fronteira mais movimentada do mundo.
A nova ponte foi projetada como rota fundamental entre os dois países, funcionando como alternativa à Ambassador Bridge, responsável por cerca de 30% do comércio bilateral. Com 2,5 km de extensão e um vão principal de 853 metros, a estrutura é descrita como a ponte estaiada mais longa da América do Norte, com custo estimado em US$ 4,7 bilhões, e deverá ser administrada em conjunto pelo governo do Canadá e pelo estado de Michigan.
Como as declarações de Trump ampliam tensões diplomáticas e comerciais?
As declarações de Trump, feitas em sua plataforma Truth Social, ligam a abertura da ponte a temas mais amplos da relação EUA–Canadá. O presidente acusa o Canadá de tratar os EUA de forma injusta por décadas, de tentar tirar vantagem em questões comerciais e de promover boicote a produtos norte-americanos, além de criticar a aproximação econômica canadense com a China.
Trump cita um acordo preliminar entre Ottawa e Pequim e insinua, sem apresentar provas, que a China teria interesse em enfraquecer o hóquei no gelo no país vizinho, o que amplia o tom político da controvérsia. A retórica ocorre em meio a um contexto de revisão de acordos comerciais regionais e de pressão sobre cadeias produtivas integradas na América do Norte.
Quais os possíveis impactos à ponte Gordie Howe?
Na prática, a ameaça de bloquear a inauguração da ponte insere um projeto de infraestrutura em uma disputa política mais ampla entre Washington e Ottawa. Desde o retorno à Casa Branca em 2025, Trump protagoniza atritos frequentes com o governo canadense, sobretudo em temas comerciais e em declarações sobre soberania e alinhamento geopolítico.
Em diversas ocasiões, o presidente afirmou que o Canadá deveria ser o “51º estado dos EUA”, o que gerou forte reação da população canadense e alimentou movimentos de boicote a produtos norte-americanos. Mais recentemente, Trump ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá após a visita do primeiro-ministro Mark Carney à China e a assinatura de um acordo comercial preliminar entre os dois países. Veja imagens da ponte abaixo (Reprodução/TikTok/RAW Detroit):
@rawdetroit The Gordie Howe International Bridge is now lit up with more than 5,000 white LED lights, transforming the Detroit and Windsor skyline. 🎥 Video by fly.with.rye #fypシ #fypシ゚viral #detroit #windsor #canada🇨🇦 ♬ Epic Music(863502) – Draganov89
Quais são os possíveis impactos da disputa sobre comércio e logística?
A governança da nova ponte Detroit–Windsor é um ponto sensível, pois a Gordie Howe Bridge será propriedade conjunta do Canadá e do estado de Michigan, com financiamento liderado por Ottawa. Ao exigir compensação total aos EUA e reivindicar metade da infraestrutura, Trump questiona um arranjo já negociado e divulgado, gerando incerteza para investidores, transportadoras e empresas que planejaram operações com base na nova rota.
Do ponto de vista econômico, a ponte foi concebida para aliviar a pressão da Ambassador Bridge, corredor vital para a indústria automotiva, o agronegócio e outros setores integrados. Um eventual adiamento da abertura pode resultar em efeitos concretos nas cadeias de suprimentos e na previsibilidade logística, como os listados a seguir:
- Manutenção de gargalos logísticos em horários de pico e períodos sazonais de maior fluxo de cargas e passageiros.
- Aumento de custos de transporte, com impacto em preços finais, prazos de entrega e competitividade de exportadores.
- Maior incerteza regulatória para empresas que dimensionaram investimentos e rotas com base na entrada em operação da nova ponte.