O ataque dos Estados Unidos na quinta-feira (5/2) a uma embarcação no Pacífico Leste reacendeu o debate sobre a legalidade e a transparência da estratégia americana de combate ao narcotráfico e ao terrorismo na região, em meio a dezenas de operações navais desde 2025.
Como foi o ataque americano no Pacífico Leste?
Segundo o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, o bombardeio mirou um barco considerado suspeito de transportar drogas em área conhecida por rotas de tráfico no Oceano Pacífico Oriental. A ação resultou na morte de duas pessoas, sem que suas identidades ou nacionalidades fossem divulgadas.
As autoridades afirmam que a embarcação integrava uma rede ligada a organizações classificadas por Washington como terroristas, supostamente financiadas pelo narcotráfico marítimo. Não foram apresentados dados públicos sobre apreensões de drogas, materiais ilícitos ou sobreviventes que pudessem corroborar a narrativa oficial. Veja o vídeo:
🚨 BREAKING: On Feb. 9, under the direction of SOUTHCOM commander Gen. Francis L. Donovan, Joint Task Force Southern Spear carried out a lethal strike on a vessel operated by Designated Terrorist Organizations along known narco-trafficking routes in the Eastern Pacific.… pic.twitter.com/ua2GJUp611
— st ⭐️ ar (@star877) February 10, 2026
Como os EUA conectam narcotráfico e terrorismo no Pacífico Oriental?
A política americana para o Pacífico Oriental e o Caribe combina o combate ao tráfico de drogas com o enfrentamento a grupos considerados terroristas, especialmente após 2025. Para Washington, o narcotráfico no Pacífico Leste é uma rota-chave de escoamento de cocaína e de financiamento de redes armadas transnacionais.
Desde setembro de 2025, as forças dos EUA realizaram mais de 30 ataques a barcos na região, com mais de 100 mortos, empregando aviões de patrulha, drones, navios de guerra e bombardeios de precisão. Especialistas observam que essa intensificação se acelerou após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, fato que redesenhou o equilíbrio político e militar na América Latina.
Como os militares americanos justificaram a ação?
Os comunicados do Comando Sul costumam justificar as operações com base em critérios operacionais e de inteligência. Esses elementos são usados como fundamento para a classificação de alvos e para a decisão de empregar força letal em mar aberto:
- Rotas de tráfico consolidadas: áreas do Pacífico Oriental e Caribe já conhecidas pelo transporte de grandes quantidades de drogas rumo à América do Norte.
- Embarcações rápidas ou sem identificação: barcos de pequeno e médio porte, muitas vezes sem bandeira visível ou com registros irregulares.
- Financiamento de grupos armados: uso da venda de drogas como fonte de receita para organizações classificadas como terroristas.
- Padrões de navegação suspeitos: trajetórias, horários e manobras que, segundo serviços de inteligência, indicariam atividades ilícitas continuadas.
O que dizem a ONU e especialistas sobre a legalidade dos ataques?
O aumento das operações navais americanas suscita dúvidas sobre compatibilidade com o direito internacional humanitário, sobretudo em relação à necessidade, proporcionalidade e distinção entre combatentes e civis. Relatores da ONU questionam se sempre houve tentativa de abordagem prévia e se a captura era viável em vez da destruição total das embarcações.
Juristas destacam que o uso de força letal exige comprovação robusta do envolvimento em atividades ilícitas graves, justificativa de risco imediato e mecanismos de transparência e investigação independente. A falta de dados públicos sobre vítimas, provas recolhidas e cadeia de comando alimenta críticas e pedidos de maior escrutínio internacional.
Quais impactos regionais a ofensiva no Pacífico Leste pode gerar?
A campanha militar americana contra barcos suspeitos no Pacífico Leste e no Caribe tende a influenciar segurança marítima, relações diplomáticas e cooperação policial na região. Governos latino-americanos enfrentam o desafio de equilibrar o combate ao tráfico com a defesa da soberania e o respeito às normas internacionais.
O episódio no Pacífico Leste reforça a percepção de que a disputa em torno do narcotráfico no Pacífico Oriental ultrapassa a dimensão policial, afetando diplomacia, comércio e presença militar estrangeira. A forma como os próximos ataques forem conduzidos e investigados deve impactar o debate global sobre drogas, terrorismo e uso da força em alto-mar.