O Benefício de Prestação Continuada (BPC) garante um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. Apesar de ser um direito fundamental, a falta de informação ainda impede que milhares de brasileiros acessem esse recurso vital.
O que é exatamente o BPC e qual seu objetivo?
O Benefício de Prestação Continuada, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), não é uma aposentadoria, mas sim um amparo assistencial. Seu objetivo principal é prover uma rede de segurança financeira para cidadãos que, por idade avançada ou limitações físicas e intelectuais, não possuem meios de garantir o próprio sustento ou de tê-lo provido por suas famílias. Em 2026, ele continua sendo uma das ferramentas mais poderosas de combate à extrema pobreza no Brasil.
Diferente dos benefícios previdenciários, o BPC não exige que o cidadão tenha contribuído para o INSS ao longo da vida. Ele é gerido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, mas pago com recursos da União, focando exclusivamente na condição socioeconômica do solicitante. Para muitos, esse valor mensal representa a diferença entre a miséria e a dignidade básica, cobrindo despesas essenciais como alimentação e medicamentos.
Quem tem direito a receber esse pagamento mensal?
O acesso ao BPC não é universal; ele possui critérios rigorosos de elegibilidade desenhados para filtrar quem realmente necessita. A regra de ouro é a comprovação de baixa renda, especificamente uma renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário mínimo vigente.
Além do critério financeiro, é necessário se enquadrar em um dos dois grupos abaixo:
- Idosos: Pessoas com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de subsistência.
- Pessoas com Deficiência: Cidadãos de qualquer idade com impedimentos de longo prazo (físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais) que obstruam sua participação plena na sociedade.
- Cadastro Único: É obrigatório estar com os dados atualizados no CadÚnico do Governo Federal.
- Nacionalidade: Ser brasileiro nato, naturalizado ou português com residência comprovada no Brasil.
Como funciona o processo de solicitação no INSS?
A solicitação do BPC foi modernizada para reduzir filas, mas ainda exige atenção aos detalhes. O primeiro passo obrigatório é procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) mais próximo para realizar ou atualizar o Cadastro Único. Sem esse registro, o INSS sequer analisa o pedido, pois é através dele que o governo cruza os dados de renda familiar.
Com o CadÚnico em dia, o requerimento pode ser feito digitalmente pelo site ou aplicativo “Meu INSS“, ou pelo telefone 135. Após o pedido inicial, o solicitante passará por duas etapas cruciais: a avaliação social, feita por assistentes sociais para verificar a condição de vida, e a perícia médica (no caso de pessoas com deficiência), que atesta a incapacidade laboral e social. O acompanhamento de todo o processo pode ser feito online, garantindo mais transparência.
Quais são os mitos e verdades sobre o benefício?
Muitas pessoas deixam de pedir o BPC por acreditarem em informações falsas ou confundirem o benefício com a aposentadoria tradicional. É fundamental entender as limitações e características específicas deste auxílio para evitar frustrações futuras ou o cancelamento indevido.
Confira na tabela abaixo os principais esclarecimentos:
Por que tantas pessoas ainda perdem esse direito?
O maior obstáculo para o acesso ao BPC ainda é a desinformação e a burocracia percebida. Muitos idosos que nunca contribuíram para o INSS acreditam que não têm direito a nada, desconhecendo o caráter assistencial do LOAS. Além disso, falhas na atualização do CadÚnico são a principal causa de suspensão ou indeferimento dos pedidos.
Para mudar esse cenário, é essencial que a informação circule. Famílias em situação de vulnerabilidade precisam saber que ter casa própria não impede o recebimento do benefício, desde que a renda se enquadre nos limites. O BPC não é um favor, mas um direito constitucional de amparo que busca corrigir desigualdades históricas e oferecer um mínimo de dignidade a quem mais precisa.