A nova rede de supermercados Vantajoso, do grupo europeu Svetofor, chega ao Brasil prometendo preços até 30% menores que a concorrência. O modelo de “ultra-hard discount” elimina serviços e luxos, focando em pallets e economia direta para enfrentar os atacarejos nacionais.
Quem é a gigante por trás da marca Vantajoso?
Embora o nome “Vantajoso” seja novo para os brasileiros, a empresa por trás dele é uma velha conhecida no mercado internacional. Trata-se do grupo Svetofor, originário da Rússia, mas consolidado na Europa sob a marca Mere. Conhecida como o “Lidl dos primórdios”, a rede opera milhares de lojas em países como Alemanha e Romênia com uma proposta de custo mínimo.
A estratégia de expansão escolheu o Brasil como porta de entrada na América Latina. A operação nacional não busca competir com supermercados premium, mas sim atrair o consumidor que, pressionado pela inflação, aceita abrir mão de conforto e variedade de marcas em troca de uma economia real e imediata no caixa.
O que o consumidor não vai encontrar nas lojas?
A experiência de compra na Vantajoso é radicalmente diferente do que o brasileiro está acostumado. Para garantir o preço baixo, a rede elimina setores inteiros que exigem mão de obra especializada ou refrigeração complexa, operando quase como um depósito aberto.
Confira na tabela abaixo as principais diferenças entre o modelo tradicional e o novo formato:
Onde as primeiras lojas estão sendo abertas?
A estreia da rede no Brasil ocorre estrategicamente no interior de São Paulo. Cidades como Americana e Campinas foram escolhidas para sediar as primeiras unidades ainda em 2025, servindo como teste para o modelo de negócio no país.
O plano de expansão é agressivo para o triênio 2026-2028. A meta é inaugurar 50 unidades espalhadas inicialmente pelo Sudeste, focando no “cinturão do consumo” que abrange o interior paulista, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A rede prioriza bairros periféricos e cidades médias para fugir dos altos aluguéis das capitais.
Qual o segredo para vender tão barato?
Para cumprir a promessa de preços até 30% inferiores, a Vantajoso corta custos operacionais de forma drástica. Não há música ambiente, iluminação decorativa ou programas de fidelidade complexos; a loja funciona com um quadro mínimo de funcionários e negociação direta com a indústria.
As principais medidas de economia incluem:
- Estrutura Espartana: Lojas sem acabamento estético, parecidas com galpões.
- Sem Empacotadores: O cliente é responsável por levar e embalar suas compras.
- Fornecimento Direto: Eliminação de intermediários na cadeia logística.
- Estoque de Oportunidade: Venda do que foi negociado barato na semana, sem garantia de reposição da mesma marca.
Vale a pena trocar o conforto pela economia?
A chegada da Vantajoso levanta um debate sobre o comportamento do consumidor brasileiro. Será que estamos dispostos a comprar comida como quem compra material de construção? A resposta inicial parece ser positiva para as compras de abastecimento pesado, onde a marca importa menos que o preço final.
Se o modelo se provar viável, ele deve pressionar gigantes como Assaí e Atacadão a reverem suas margens. Para o consumidor, isso significa mais poder de escolha: continuar pagando pela conveniência ou migrar para o “ultra-hard discount” e aliviar o orçamento doméstico em tempos de carestia.