No sábado (7/2), a morte de uma jovem de 27 anos durante uma aula de natação em uma piscina de academia na zona Leste de São Paulo reacendeu o alerta sobre os riscos de intoxicação química em ambientes aquáticos fechados, levantando dúvidas sobre segurança, manutenção e fiscalização de piscinas coletivas.
O que é intoxicação química em piscina e como ela ocorre?
A intoxicação química em piscina costuma estar ligada ao uso inadequado de produtos de desinfecção e manutenção da água, principalmente o cloro. A substância é essencial para eliminar micro-organismos, mas precisa respeitar limites técnicos de concentração para não causar danos à saúde.
Excesso de cloro, combinação incorreta de substâncias ou aplicação sem diluição adequada podem gerar gases tóxicos e compostos irritantes para olhos, pele e sistema respiratório. Em ambientes cobertos, com pouca ventilação, esses gases se acumulam com mais facilidade, favorecendo quadros de intoxicação aguda.
O que pode ter acontecido na piscina da academia em São Paulo?
No caso da piscina de academia em São Paulo, uma das linhas de investigação considera falha técnica no tratamento da água. A combinação de forte odor, queimação nos pulmões e alteração na aparência e no gosto da água é compatível com possível saturação química ou uso inadequado de produtos.
Normas técnicas estabelecem que o teor de cloro livre em piscinas deve ficar, em geral, entre 0,5 mg/l e 0,8 mg/l, faixa considerada suficiente para desinfecção sem comprometer a segurança dos banhistas. Quando essa concentração é ultrapassada, surgem tosse intensa, falta de ar, irritação ocular e risco de dano respiratório e cardíaco em situações graves.
Como está a investigação do caso da morte em piscina em São Paulo?
O inquérito é conduzido pelo 42º Distrito Policial, que classificou o caso como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem. Peritos do Instituto de Criminalística coletaram amostras da água da piscina e de produtos químicos usados na manutenção para verificar se os parâmetros atendiam às normas de segurança.
Segundo o delegado Alexandre Bento, os proprietários fecharam a academia e deixaram o local sem acionar a polícia, o que levou ao arrombamento do imóvel para permitir o trabalho dos peritos. Esse abandono será avaliado na investigação, ao lado de possíveis responsabilidades administrativas e criminais pela gestão da piscina e pelo controle de substâncias químicas.
Quais cuidados aumentam a segurança em piscinas coletivas?
O episódio em São Paulo reforça a importância de tratar a segurança de piscinas como tema técnico e de saúde pública. Academias, clubes, hotéis e condomínios devem seguir normas específicas, manter registros de manutenção, medições de cloro e pH, e garantir treinamento adequado para quem lida com produtos químicos.
Para organizar esses cuidados, é útil observar práticas recomendadas que envolvem tanto gestão do local quanto proteção direta aos frequentadores:
- Manutenção feita por profissional habilitado, com registro regular de cloro, pH e inspeções de equipamentos.
- Ventilação adequada em áreas cobertas, evitando acúmulo de gases irritantes no ambiente.
- Proibição de manipulação de produtos químicos durante o uso da piscina por frequentadores ou funcionários sem EPI.
- Interrupção imediata das atividades diante de cheiro insuportável, ardência ao respirar ou alterações visíveis na água.
- Informações claras ao público sobre procedimentos de segurança, contatos de emergência e regras de uso da piscina.