Na manhã desta segunda-feira (9/2), o caso da prisão do piloto da Latam Airlines, Sérgio Antonio Lopes, dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, ganhou destaque nacional e levantou questionamentos sobre responsabilidade, segurança e investigação de crimes sexuais contra crianças e adolescentes em uma possível rede estruturada de exploração.
Como ocorreu a operação que prendeu o piloto da Latam?
A Operação Apertem os Cintos busca desarticular uma suposta organização criminosa dedicada à exploração sexual de crianças e adolescentes, em inquérito iniciado em outubro de 2025. A ação, conduzida pelo DHPP, é baseada em elementos que indicam rede estruturada de abuso, pornografia infantil e aliciamento de menores.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária contra quatro investigados, na capital paulista, em Congonhas e em Guararema. A operação mobilizou 32 policiais civis e 14 viaturas, resultando, até o momento, na prisão do piloto e de uma mulher de 55 anos, suspeita de receber dinheiro pela “venda” das netas de 10, 12 e 14 anos. Veja o momento da prisão (Reprodução/X/Choquei):
🚨BRASIL: Suspeita de exploração sexual infantil leva à prisão de piloto da Latam, em Congonhas. pic.twitter.com/YayB5IDUwb
— CHOQUEI (@choquei) February 9, 2026
Como funcionaria a suposta rede de exploração sexual investigada?
As investigações indicam que os fatos não se restringem a episódios isolados, mas a uma estrutura organizada com divisão de tarefas. Até agora, foram identificadas três vítimas formais: duas crianças de 11 e 12 anos à época dos fatos e uma adolescente de 15 anos, submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual.
Entre os delitos investigados estão estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição, exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso e produção e compartilhamento de pornografia infantojuvenil. A polícia também apura possível perseguição reiterada, coação no curso do processo e destruição ou ocultação de provas, além da existência de outras vítimas.
Quais são os objetivos imediatos da operação e os próximos passos?
A Polícia Civil afirma que o objetivo imediato é interromper a atuação do grupo investigado e proteger a integridade física e psicológica das vítimas. Também busca preservar provas essenciais, evitar contato entre investigados e testemunhas e garantir que o inquérito, em curso desde 2025, não seja prejudicado.
Os próximos passos incluem identificar outros autores, localizar novas vítimas, aprofundar a análise de materiais apreendidos e rastrear a movimentação financeira do esquema. Computadores, celulares e documentos são examinados para mapear envolvidos diretos e indiretos, o que pode levar a novas fases da operação e a novas prisões.
Quais impactos o caso pode trazer para a aviação?
A prisão de um piloto dentro de uma aeronave tende a repercutir no setor aéreo, mesmo quando os fatos investigados não se relacionam diretamente ao exercício da função de voo. Companhias aéreas, como a Latam, mantêm políticas de compliance e checagem de antecedentes, mas dependem de informações oficiais e comunicações das autoridades para agir internamente.
No campo do enfrentamento à exploração sexual infantojuvenil, o caso reforça a relevância de denúncias, investigações de longo prazo e apoio contínuo às vítimas. A identificação de possível “venda” de menores por familiares e intermediação para encontros em motéis expõe um cenário de vulnerabilidade social, abuso de confiança e ruptura de laços de proteção, exigindo atuação conjunta de polícia, Ministério Público e rede de proteção infantil.