O envelhecimento da população brasileira tem levado estados e municípios a repensar a forma de garantir cuidado a pessoas idosas em situação de fragilidade. No Paraná, uma das estratégias recentes foi criar um benefício voltado às famílias que já realizam esse acompanhamento dentro de casa, apoiando o cuidado domiciliar, evitando o afastamento do idoso de seu ambiente afetivo e reconhecendo o esforço diário de quem assume essa responsabilidade.
O que é o Bolsa Cuidador Familiar no Paraná?
O Bolsa Cuidador Familiar é um benefício financeiro mensal destinado a cuidadores que acolhem em casa idosos em situação de vulnerabilidade social no estado do Paraná. Ele integra o projeto Paraná Amigo da Pessoa Idosa, que prioriza o cuidado domiciliar em vez da permanência em instituições, fortalecendo a família para que o idoso permaneça no convívio familiar sempre que houver condições de segurança.
O valor do Bolsa Cuidador Familiar corresponde a meio salário mínimo nacional, funcionando como complemento de renda e reconhecimento simbólico do trabalho de cuidado. Em 2026, o montante é de aproximadamente R$ 810,50, sem substituir aposentadorias, pensões ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas somando uma camada extra de proteção social.
Em quais municípios o Bolsa Cuidador Familiar está disponível
A implantação do Bolsa Cuidador Familiar começou de forma gradual, por meio de um projeto-piloto em 20 municípios do Paraná. Cada município recebeu inicialmente 15 bolsas, totalizando 300 benefícios, com seleção baseada em indicadores de envelhecimento, rede de assistência social existente e capacidade de acompanhamento das equipes.
Entre as cidades contempladas estão municípios de diferentes regiões do estado, incluindo áreas urbanas de médio porte e municípios do interior, que servirão de referência para possíveis ampliações futuras:
Quais são os requisitos para receber o Bolsa Cuidador Familiar?
O programa é voltado a famílias em situação de vulnerabilidade que convivem com idosos dependentes de auxílio contínuo no domicílio. A seleção passa por avaliação técnica das equipes municipais de assistência social e saúde, com possibilidade de visitas domiciliares para verificar a realidade de cada caso e o grau de dependência da pessoa idosa.
Entre os requisitos principais, destacam-se morar com o idoso, ter mais de 18 anos, estar inscrito no CadÚnico e comprovar renda familiar per capita inferior a um salário mínimo. Também é necessário que o idoso apresente fragilidade física ou condição clínica que exija auxílio permanente e não esteja institucionalizado em serviço de longa permanência.
Confira em seguida um vídeo da Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná sobre o novo programa do Governo:
Como solicitar o Bolsa Cuidador Familiar no município?
A porta de entrada para o benefício é a rede de assistência social do município, especialmente os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). As equipes de referência orientam a família, conferem documentos, acompanham o caso e registram as informações nos sistemas estaduais, como o SIPI-PR, que monitora indicadores e o perfil das famílias beneficiadas.
De modo geral, o processo envolve verificar se o município participa do programa, atualizar o CadÚnico, apresentar documentos pessoais, comprovantes de renda e laudo médico, além de aguardar a visita técnica. O fluxo é organizado para garantir transparência na concessão do benefício e facilitar o planejamento conjunto entre assistência social e saúde.
Por que o Bolsa Cuidador Familiar é importante para o cuidado de idosos?
O Bolsa Cuidador Familiar contribui para que a pessoa idosa permaneça em seu ambiente familiar, preservando rotinas, relações de afeto e vínculos comunitários. Ao apoiar financeiramente quem cuida, o programa ajuda a reduzir a necessidade de institucionalização, diminui a sobrecarga econômica e favorece a permanência do cuidador no domicílio quando há dificuldade de conciliar trabalho formal e cuidado.
Além do apoio financeiro, a iniciativa estimula o acompanhamento sistemático da situação dos idosos cadastrados, permitindo mapear demandas de saúde, identificar casos de maior risco e organizar respostas intersetoriais.
Dessa forma, o programa funciona como instrumento de gestão do cuidado à pessoa idosa no território, fortalecendo a proteção social e o reconhecimento das famílias cuidadoras.