O início de 2026 trouxe mudanças drásticas para os clientes do Banco do Brasil na capital baiana. Como parte de um amplo plano de reestruturação anunciado no final de 2025, a instituição financeira desativou três agências importantes em Salvador, além de transformar dezenas de outras unidades no estado em postos de atendimento simplificados. A medida visa adaptar o banco à era digital e reduzir custos operacionais bilionários.
Por que o banco decidiu fechar essas unidades agora?
A decisão estratégica foi motivada pela mudança acelerada no comportamento dos clientes. Com cerca de 82% das transações bancárias sendo realizadas via aplicativo ou internet banking, a manutenção de grandes estruturas físicas tornou-se dispendiosa e, na visão da diretoria, desnecessária em certos locais.
O presidente do banco, Paulo Caffarelli, justificou a medida como essencial para a sustentabilidade financeira da instituição. A economia projetada com o fechamento de unidades e a redução de despesas administrativas chega a R$ 3,798 bilhões anuais. Esse montante deve ser redirecionado para investimentos em tecnologia, segurança digital e modernização dos canais remotos que atendem a maioria da base de correntistas.
Quais agências de Salvador encerraram as atividades?
Na capital baiana, o fechamento atingiu pontos nevrálgicos do comércio e turismo. A desativação da agência do Pelourinho, por exemplo, gerou preocupação entre comerciantes locais, enquanto o fechamento da unidade no Salvador Shopping impactou a conveniência de milhares de clientes que circulavam pelo centro de compras.
Confira na tabela abaixo as unidades desativadas:
Como a reestruturação afeta a Bahia e o quadro de funcionários?
A Bahia sofreu um dos maiores cortes da região Nordeste. Ao todo, 33 unidades no estado passaram por intervenção, seja pelo fechamento definitivo ou pelo rebaixamento de agência completa para Posto de Atendimento, o que implica em estruturas menores e sem gerência geral.
Para mitigar as demissões, o banco apostou em desligamentos voluntários. Os números do plano de pessoal revelam a dimensão do ajuste:
- Aposentadoria Incentivada: Plano oferecido para 18 mil funcionários em todo o país com condições de se aposentar.
- Meta de Redução: O objetivo é desligar cerca de 9.300 colaboradores através do incentivo financeiro.
- Cortes Nacionais: No total Brasil, foram 402 agências fechadas e 379 transformadas em postos.
- Gestão: Encerramento de 31 superintendências regionais para reduzir a burocracia interna.
Qual a reação dos clientes e entidades de classe?
A mudança forçada gerou críticas imediatas do Sindicato dos Bancários da Bahia e reclamações de correntistas que preferem o atendimento humanizado. A principal queixa refere-se à superlotação das agências remanescentes, que agora precisam absorver a demanda das unidades fechadas.
Os principais pontos de conflito levantados incluem:
- Desassistência: Áreas turísticas como o Pelourinho ficam descobertas, dificultando a vida de turistas e pequenos comerciantes que lidam com dinheiro físico.
- Filas Maiores: O redirecionamento de clientes tende a aumentar o tempo de espera nas agências vizinhas.
- Exclusão Digital: Idosos e pessoas com dificuldade tecnológica sentem-se prejudicados pela imposição do uso de aplicativos.
Como fica o atendimento bancário no futuro?
A migração das contas das agências fechadas foi realizada de forma automática para as unidades mais próximas, garantindo que cartões e senhas continuem funcionando sem interrupções. A instituição reforça que o futuro do atendimento é híbrido, mas com forte predominância digital.
Para serviços essenciais que exigem presença física, como prova de vida ou saques de grande valor, os clientes devem procurar a agência acolhedora indicada nos comunicados oficiais. A tendência é que o modelo de agências físicas continue encolhendo nos próximos anos, transformando o banco em uma plataforma de serviços majoritariamente virtual.