A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atuou com rigor na primeira semana de janeiro de 2026, emitindo ordens de recolhimento para produtos alimentícios e suplementos que apresentavam riscos à saúde. As medidas, publicadas no Diário Oficial da União, envolvem desde um molho de tomate importado contendo fragmentos de vidro até suplementos visuais com ingredientes não autorizados e produtos naturais sem licença de funcionamento.
Por que o molho de tomate importado foi recolhido?
A ação mais urgente envolveu o molho de tomate “Passata de Pomodoro Di Puglia”, da marca italiana Mastromauro Granoro. A Anvisa recebeu um alerta internacional através do sistema RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed), uma ferramenta da União Europeia utilizada para comunicar rapidamente riscos graves em alimentos.
O comunicado informou que um lote específico do produto, importado para o Brasil, continha pedaços de vidro em seu conteúdo. A ingestão de fragmentos de vidro pode causar cortes na boca, esôfago e estômago, além de hemorragias internas graves. Diante do risco físico iminente, a agência determinou a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso do lote afetado em todo o território nacional.
Quais são os produtos e lotes exatos afetados?
Além do molho de tomate, a fiscalização atingiu suplementos da Bausch + Lomb e da empresa Ervas Brasil. É fundamental que o consumidor verifique os códigos nas embalagens antes de consumir qualquer um desses itens.
Confira na tabela abaixo os detalhes dos produtos suspensos:
O que motivou a suspensão do suplemento Neovite Visão?
No caso do suplemento alimentar voltado para a saúde ocular, a própria fabricante, BL Indústria Ótica Ltda (Bausch + Lomb), comunicou o recolhimento voluntário. A empresa identificou que os lotes citados utilizavam Capsicum annuum L. (fruto da páprica) como fonte de zeaxantina, um ingrediente que não possui autorização da Anvisa para essa finalidade específica em suplementos.
Além disso, análises laboratoriais detectaram que a quantidade de corante Caramelo IV (processo sulfito-amônia) estava acima do limite máximo permitido pela legislação brasileira. Embora não represente um risco agudo como o vidro, o excesso de aditivos e o uso de ingredientes não avaliados violam as normas de segurança alimentar.
Quais irregularidades foram encontradas na marca Ervas Brasil?
A situação mais grave do ponto de vista regulatório envolve a empresa Ervas Brasil Indústria Ltda. A fiscalização descobriu que a fabricante operava na clandestinidade, sem Licença Sanitária ou Alvará de Funcionamento, o que torna todos os seus produtos irregulares por origem.
Os principais problemas identificados nos suplementos “Vitamina C Sucupira com Unha de Gato” e “Colesterol” incluem:
- Falsas Promessas: Divulgação de propriedades terapêuticas e funcionais (como “curar colesterol”) sem nenhuma comprovação científica.
- Ingredientes Proibidos: Utilização de plantas e compostos não autorizados para uso em alimentos ou suplementos.
- Risco Sanitário: Falta de controle higiênico-sanitário na fabricação, já que a empresa não possuía autorização para operar.
Como o consumidor deve proceder com esses itens?
A Anvisa orienta que os consumidores que possuam o lote LM283 do molho de tomate Granoro não abram nem consumam o produto sob hipótese alguma, devido ao risco de lesões internas. O produto deve ser segregado para recolhimento.
Em relação aos suplementos Neovite Visão dos lotes citados, o consumidor deve interromper o uso e entrar em contato com o SAC da Bausch + Lomb para orientações sobre troca ou ressarcimento. Já os produtos da Ervas Brasil devem ser descartados, pois sua origem clandestina não oferece garantias mínimas de qualidade ou segurança. Denúncias sobre a venda contínua desses itens podem ser feitas à Vigilância Sanitária local.