A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou o ano de 2026 reforçando a fiscalização no setor de cosméticos. Em resolução publicada no Diário Oficial da União no dia 8 de janeiro, o órgão determinou o recolhimento, a suspensão da comercialização e a proibição do uso do alisante capilar “My Horizon Brazilian Protein Robson Peluquero”. A medida visa proteger a saúde dos consumidores e profissionais de salões de beleza contra produtos que não passaram pelos crivos de segurança exigidos por lei.
Por que o produto foi considerado irregular pela agência?
A suspensão ocorreu devido a um erro grave de classificação regulatória. O produto estava apenas “notificado” na Anvisa, um processo simplificado destinado a cosméticos de baixo risco (Grau 1), como xampus e condicionadores comuns. No entanto, por se tratar de um alisante capilar, que modifica a estrutura química do fio, ele é classificado como produto de Grau 2.
Isso significa que o fabricante, a EMCS Indústria Ltda, deveria ter submetido o produto ao processo de “registro”, que exige testes mais complexos de segurança e eficácia antes de chegar ao mercado. Ao pular essa etapa, o produto foi considerado clandestino sob a ótica sanitária.
Qual é o item exato que deve ser retirado dos salões?
A medida atinge especificamente a marca Robson Peluquero, conhecida no segmento profissional. Cabeleireiros e distribuidores devem estar atentos para não utilizarem o estoque remanescente, pois a ordem de recolhimento é mandatória.
Confira na tabela os detalhes do produto alvo da fiscalização:
Qual o risco de usar alisantes sem registro adequado?
A exigência de registro para alisantes não é mera burocracia. Produtos que alteram a forma do cabelo utilizam substâncias químicas potentes que, se não testadas e controladas, podem causar danos severos. A notificação simples não garante que a fórmula seja segura ou que respeite os limites de pH e toxicidade.
Sem a análise prévia da Anvisa, não há garantia de que o alisante não contenha substâncias proibidas, como formol em concentrações cancerígenas, ou ácidos corrosivos que podem causar queimaduras químicas no couro cabeludo e até cegueira se entrarem em contato com os olhos.
Quais danos à saúde podem ocorrer?
A utilização de cosméticos irregulares, especialmente aqueles destinados à transformação capilar, expõe tanto o cliente quanto o profissional que aplica o produto a riscos imediatos e de longo prazo. A falta de testes de segurança abre margem para reações adversas graves.
Os principais problemas de saúde associados ao uso de alisantes sem registro incluem:
- Queimaduras Químicas: Lesões no couro cabeludo, orelhas e pescoço devido à acidez descontrolada.
- Queda Capilar (Corte Químico): Quebra severa dos fios e alopecia por incompatibilidade ou excesso de química.
- Reações Respiratórias: Intoxicação por inalação de vapores tóxicos durante o processo de pranchar o cabelo.
- Irritação Ocular: Vermelhidão, lacrimejamento e risco de lesão na córnea.
O que fazer caso tenha adquirido o produto?
A orientação para consumidores e profissionais de beleza é interromper o uso do “My Horizon Brazilian Protein” imediatamente. O produto deve ser separado e não pode ser descartado em lixo comum ou rede de esgoto sem orientação, para evitar contaminação ambiental.
Quem possui o item em estoque deve entrar em contato com o fabricante EMCS Indústria Ltda para solicitar o recolhimento. Caso encontre o produto sendo comercializado ou utilizado em salões de beleza, o cidadão pode realizar uma denúncia anônima à Vigilância Sanitária local, contribuindo para a retirada desses itens perigosos de circulação.