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Anvisa proíbe venda de canetas emagrecedoras sem registro e alerta para risco à saúde

Por Guilherme Silva
09/fev/2026
Em Geral
Mesa com caixas de remédios apreendidos e fita de 'INTERDITADO', com agente da Anvisa ao fundo

Mesa com caixas de remédios apreendidos e fita de 'INTERDITADO', com agente da Anvisa ao fundo

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou o cerco contra o comércio ilegal de medicamentos para emagrecimento no início de 2026. Em resolução publicada no Diário Oficial da União em 21 de janeiro, a agência determinou a apreensão e a proibição total da comercialização, distribuição e uso de lotes de Tirzepatida das marcas Synedica e TG. A medida rigorosa também se estende a todos os produtos à base de Retatrutida, uma substância ainda em fase experimental que vinha sendo vendida irregularmente no país.

Por que a agência reguladora considerou os produtos clandestinos?

A decisão da Anvisa baseia-se na falta de registro sanitário e na origem desconhecida dos fabricantes. As investigações apontaram que esses produtos estavam sendo amplamente divulgados e comercializados através de perfis em redes sociais, como o Instagram, sem qualquer controle de qualidade ou autorização legal.

Diferente dos medicamentos regulamentados, que passam por rigorosos testes de eficácia e segurança, as marcas citadas não possuem notificação ou cadastro no Brasil. Isso significa que não há como garantir que o líquido dentro das canetas aplicadoras seja realmente o fármaco prometido, nem que tenha sido armazenado nas condições de refrigeração exigidas para este tipo de medicamento biológico.

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Agente da Anvisa trabalhando em retirada de produtos no local (Imagem ilustrativa)
Agente da Anvisa trabalhando em retirada de produtos no local (Imagem ilustrativa)

Quais são as marcas e substâncias atingidas pela proibição?

A ação fiscal abrange uma lista específica de produtos que ganharam popularidade no mercado paralelo de emagrecimento. Além da Tirzepatida e da Retatrutida, a Anvisa já havia emitido alertas sobre outras marcas de agonistas de GLP-1 que circulavam sem licença.

Confira na tabela abaixo os produtos que tiveram sua circulação vetada pela vigilância sanitária:

Produtos vetados pela vigilância sanitária
Lista oficial de substâncias com proibição de circulação no Brasil
Nome comercial / Marca
Synedica e TG
Substância ativa
Tirzepatida
🚫 Apreensão e proibição total
Nome comercial / Marca
Todas as marcas
Substância ativa
Retatrutida
🚫 Proibição de fabricação, venda e uso
Nome comercial / Marca
Lipoless e T.G. 5
Substância ativa
Agonistas de GLP-1
🚫 Sem registro sanitário (clandestino)
A comercialização desses itens configura crime contra a saúde pública. Em caso de posse, descarte o produto ou procure uma autoridade sanitária.

O perigo da importação irregular e falta de rastreabilidade

O aumento da procura pelas chamadas “canetas emagrecedoras” criou um mercado paralelo perigoso. Medicamentos sem registro no Brasil só poderiam ser importados em situações excepcionalíssimas e para uso pessoal, mas a proibição específica da Anvisa anula essa possibilidade para as marcas citadas, tornando qualquer importação ilegal.

A comercialização desses itens com bulas em língua estrangeira ou sem bula alguma viola as normas nacionais e coloca o paciente em risco de erros de dosagem e administração. Além disso, por serem produtos sem “dono” legal no Brasil (detentor do registro), torna-se impossível rastrear lotes em caso de efeitos colaterais graves ou intoxicações.

Créditos: depositphotos.com / ariteguhas@gmail.com
Anvisa alerta e faz recolhimento de canetas emagrecedoras irregulares – Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Quais os principais riscos de utilizar essas canetas sem registro?

A utilização de medicamentos injetáveis de origem desconhecida expõe o usuário a perigos que vão muito além da ineficácia do tratamento. A falta de boas práticas de fabricação pode resultar em contaminação bacteriana do produto ou na presença de impurezas tóxicas.

Os principais alertas emitidos pela vigilância sanitária incluem:

  • Conteúdo Duvidoso: Não há garantia da concentração correta do princípio ativo ou se a substância é verdadeira.
  • Risco de Infecção: Falhas na esterilização durante a fabricação clandestina podem causar abscessos e infecções graves no local da aplicação.
  • Sem Suporte Médico: Em caso de reação adversa, não há laboratório responsável para prestar esclarecimentos ou suporte técnico.
  • Armazenamento Inadequado: Esses medicamentos exigem refrigeração constante; o transporte irregular costuma quebrar essa cadeia de frio, degradando o produto.

O que fazer caso tenha adquirido um desses produtos?

A orientação oficial da Anvisa é taxativa: interrompa o uso imediatamente. Não tente utilizar o restante do medicamento, pois os riscos à saúde superam qualquer benefício estético ou terapêutico esperado. O produto deve ser segregado e não deve ser descartado em lixo comum sem orientação prévia.

Pacientes e profissionais de saúde que identificarem a venda ou a circulação das marcas Synedica, TG ou de frascos de Retatrutida devem denunciar o fato à Vigilância Sanitária local ou através dos canais de atendimento da Anvisa. A colaboração da população é essencial para retirar esses itens perigosos de circulação e proteger a saúde coletiva.

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