Imagine um trem atravessando o fundo do mar, a centenas de metros de profundidade, ligando duas das principais ilhas do Japão como se fossem bairros vizinhos. Esse cenário descreve o Túnel Seikan, um dos túneis ferroviários submarinos mais longos e profundos do mundo, peça-chave da infraestrutura japonesa desde o fim da década de 1980 e símbolo de engenharia de grande porte em uma região de mares agitados.
O que é o Túnel Seikan e onde ele está localizado?
O Túnel Seikan é um túnel ferroviário que conecta as ilhas de Honshu e Hokkaido, atravessando o Estreito de Tsugaru, no norte do Japão. Ele funciona como elo físico e logístico entre Aomori (Honshu) e Hakodate (Hokkaido), integrando a maior ilha japonesa à região mais ao norte do país.
O traçado passa sob o fundo do mar em uma faixa de estreito relativamente estreita, mas com condições naturais desafiadoras. Correntes intensas, ventos fortes e mares revoltos fizeram do túnel uma alternativa mais estável que as balsas, garantindo fluidez ao transporte de passageiros e cargas.
Quais são as principais características técnicas do Túnel Seikan?
Com 53,85 km de extensão total, sendo cerca de 23,3 km sob o mar, o Túnel Seikan atinge aproximadamente 240 metros abaixo do nível do oceano. Essa dimensão o colocou por muitos anos entre os túneis ferroviários mais longos do planeta, referência em obras subterrâneas de grande escala.
A construção começou em 1971 e durou cerca de 24 anos, até 1988, exigindo métodos adaptados a rochas vulcânicas e áreas com alta infiltração de água. Posteriormente, o túnel foi equipado para receber o Hokkaido Shinkansen, integrando trens-bala em um ambiente subterrâneo de alta segurança. Confira abaixo todas as características técnicas do Túnel Seikan:
- Extensão total: cerca de 53,85 km, com 23,3 km submarinos
- Profundidade: até 240 m abaixo do nível do mar
- Construção: de 1971 até a inauguração comercial em 1988
- Uso atual: trens convencionais e linha Hokkaido Shinkansen
Por que o Túnel Seikan foi construído e qual foi o impacto do Toya Maru?
A principal motivação foi criar uma alternativa mais estável e segura ao transporte marítimo entre Honshu e Hokkaido, antes feito quase só por balsas. O Estreito de Tsugaru é marcado por tufões, ventos fortes e tempestades, o que gerava atrasos, interrupções e riscos constantes.
O naufrágio do ferry Toya Maru, em 1954, durante um tufão, com grande número de vítimas, evidenciou a vulnerabilidade da rota marítima. A partir desse desastre, ganhou força a ideia de uma ligação ferroviária fixa, capaz de garantir segurança e fortalecer a integração econômica e social entre as duas ilhas.
Quais desafios de engenharia o Túnel Seikan enfrentou?
Escavar um túnel submarino em grande profundidade exigiu lidar com rochas vulcânicas, falhas geológicas e enormes volumes de água subterrânea. Isso demandou soluções avançadas de impermeabilização, drenagem contínua e reforço estrutural para garantir estabilidade de longo prazo.
Como o Japão é altamente sísmico, o projeto incluiu proteção contra terremotos e impactos indiretos de tsunamis. Para isso, foram considerados diversos sistemas e estruturas especializadas:
- Monitoramento sísmico em tempo real e sensores de deformação
- Rotas de fuga, câmaras de evacuação e áreas técnicas internas
- Projetos robustos de ventilação, drenagem e acesso de equipes de resgate
Como funciona hoje o Túnel Seikan e qual é seu legado?
Atualmente, o Túnel Seikan integra a linha Hokkaido Shinkansen, com trens-bala cruzando o estreito em cerca de 25 minutos, em velocidade controlada para reduzir vibrações, ruído e variações de pressão. Sensores ao longo do trajeto monitoram movimentos do solo, presença de água e anomalias na estrutura.
O túnel é um marco da engenharia japonesa e mundial, mostrando a viabilidade de longos túneis ferroviários sob o oceano. Ele reforçou a imagem do Japão em tecnologia ferroviária avançada e serve de referência técnica para projetos de túneis submarinos de grande porte em diferentes países.