O pedido do ministro Alexandre de Moraes nesta sexta-feira (6/2) para que a defesa de Jair Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o laudo médico da Polícia Federal reacende o debate sobre a saúde do ex-presidente e a capacidade do sistema prisional de atendê-lo.
O que diz o laudo médico da PF sobre Jair Bolsonaro?
O laudo médico de Jair Bolsonaro, com 52 páginas, descreve sete comorbidades, como hipertensão arterial, síndrome da apneia do sono, obesidade clínica e refluxo gastroesofágico. Os peritos afirmam que não há, no momento, justificativa técnica para transferência hospitalar ou para concessão de prisão domiciliar.
O documento relaciona doenças pré-existentes, hábitos e medicações em uso, destacando a necessidade de atenção constante ao sistema cardiovascular. Apesar dos riscos, o laudo conclui que não há instabilidade clínica que impeça a permanência de Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, desde que haja acompanhamento adequado.
Como o laudo médico impacta o pedido de prisão domiciliar?
A discussão jurídica gira em torno do laudo de Jair Bolsonaro, que serve de base para o Supremo Tribunal Federal reavaliar pedidos de prisão domiciliar. A perícia da Polícia Federal indica que as doenças listadas podem ser manejadas dentro do sistema prisional, com monitoramento contínuo e ajustes terapêuticos.
Alexandre de Moraes determinou que defesa e PGR se manifestem em até cinco dias sobre o conteúdo do laudo, podendo solicitar complementações. Esse prazo permite contestação técnica, apresentação de laudos particulares e análise da suficiência das recomendações, antes de eventual mudança no regime de custódia.
Quais medidas de saúde foram recomendadas para Bolsonaro?
O laudo recomenda um acompanhamento multiprofissional contínuo, com médicos de diferentes especialidades, nutricionistas, fisioterapeutas e equipe de enfermagem. O objetivo é prevenir complicações, reduzir risco cardiovascular e melhorar a qualidade de vida do ex-presidente no presídio.
Os peritos apontam medidas práticas que devem ser implementadas pela administração prisional para garantir o manejo adequado das comorbidades e adaptar o ambiente às limitações físicas do ex-presidente:
- Otimização de tratamentos, com revisão de medicamentos, ajustes de doses e checagem de interações;
- Investigação de alterações neurológicas, incluindo hipótese de deficiências vitamínicas e efeitos colaterais;
- Adaptação do alojamento, com barras de apoio em corredores e banheiros e adequações ergonômicas básicas;
- Monitoramento em tempo real, por meio de dispositivos de vigilância e observação mais próxima nas áreas comuns;
- Avaliação nutricional detalhada, com dieta específica para obesidade, hipertensão e refluxo;
- Prática regular de atividade aeróbica, compatível com as limitações físicas e a rotina prisional;
- Fisioterapia contínua, voltada à força muscular, equilíbrio postural e prevenção de quedas.
Quais as condições da Papuda?
O relatório aponta que a Papuda tem condições de atender o quadro atual de Bolsonaro, mas recomenda adaptações pontuais. Essas medidas envolvem pequenas obras de infraestrutura, reforço da equipe de saúde e protocolos específicos de monitoramento, sem necessidade de reforma ampla do complexo.
Há indicação de investigação adicional de possíveis alterações neurológicas, que podem estar relacionadas a deficiências vitamínicas e ao uso crônico de múltiplos medicamentos. Novos exames e avaliações especializadas podem redefinir o plano terapêutico e influenciar futuras decisões judiciais, caso surjam evidências de agravamento clínico relevante.