O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira (5/2) que pretende ir a Washington, no início de março de 2026, para uma reunião direta com o presidente norte-americano Donald Trump, descrita como um momento de conversa “olho no olho” entre as duas maiores democracias do Ocidente.
Qual é o objetivo da reunião “olho no olho” entre Lula e Trump?
A reunião “olho no olho” com Trump sintetiza a ideia de uma conversa direta, sem intermediários, voltada a reposicionar a relação entre Brasil e Estados Unidos. Em um cenário de disputas comerciais e corrida por minerais estratégicos, o governo brasileiro vê a visita como chance de reduzir ruídos diplomáticos.
Segundo auxiliares presidenciais, a intenção é explorar acordos que fortaleçam a indústria brasileira e ampliem a presença de produtos nacionais no mercado norte-americano. A agenda também deve abordar cooperação em transição energética, segurança de cadeias produtivas e tecnologia, buscando uma base mais previsível de relacionamento bilateral. Veja fala de Lula em entrevista ao UOL:
🚨 Presidente Lula entregou ao Trump uma lista com endereço de todos os magnatas do crime organizado que está escondidos nos EUA. O destino preferido dos que fogem da justiça brasileira. LULA NO UOL pic.twitter.com/u2w1ZK0mEM
— Andréia de Jesus 51.120 votos (@andreiadejesuus) February 5, 2026
O que Lula pretende negociar na reunião com Trump?
Entre os temas previstos, ganham destaque as cadeias de suprimentos de minerais críticos, como lítio e níquel, essenciais para baterias, equipamentos eletrônicos e tecnologias de baixo carbono. O Brasil busca se firmar como fornecedor confiável, enquanto os EUA tentam diversificar suas fontes para reduzir dependências consideradas sensíveis.
Na esfera econômica, o Palácio do Planalto aponta uma pauta ampla, com foco em geração de empregos, transferência de tecnologia e integração produtiva entre os dois países. Nesse contexto, alguns eixos são tratados como prioritários pela equipe econômica de Lula:
- Parcerias industriais para agregar valor aos produtos brasileiros e ampliar a capacidade produtiva conjunta;
- Investimentos estrangeiros diretos em infraestrutura, energia e inovação tecnológica;
- Ampliação das exportações de manufaturados, produtos agroindustriais e serviços de alto valor agregado;
- Possíveis acordos regulatórios que facilitem o comércio bilateral e reduzam barreiras técnicas;
- Definição de salvaguardas que assegurem o respeito à soberania nacional sobre recursos estratégicos.
Como a viagem a Washington se encaixa na política externa de Lula?
A confirmação da viagem ocorre em meio a uma agenda externa intensa, com compromissos na Índia e na Coreia antes da chegada aos Estados Unidos. Essa sequência reforça a estratégia de diversificação de alianças, mantendo diálogo com potências ocidentais e países asiáticos de peso econômico e político.
Diplomatas avaliam que a agenda de Lula em Washington integra um esforço de reposicionar o Brasil em fóruns multilaterais, como ONU e G20, e em negociações sobre clima, comércio e governança internacional. A reunião com Trump também testará a disposição norte-americana em apoiar reformas em instituições globais e maior participação de países em desenvolvimento.
Quais podem ser os impactos econômicos e geopolíticos dessa reunião?
A visita tende a ser acompanhada de perto por empresários, investidores e analistas de política externa, atentos a possíveis anúncios de novos acordos. Joint ventures, facilitação de exportações e projetos de longo prazo em energia e infraestrutura estão entre as expectativas do setor privado.
Especialistas em relações internacionais observam como o encontro pode reposicionar o Brasil nas disputas geopolíticas em curso, especialmente em temas como minerais críticos, transição energética e segurança das cadeias produtivas. O tom adotado em relação à soberania e a questões ambientais também influenciará a reação de outros parceiros globais.