A discussão sobre a CPI do Banco Master ganhou novo capítulo na Câmara dos Deputados, com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicando nesta terça-feira (3/2) que a análise do pedido ficará para depois de outros requerimentos já apresentados.
Quando a CPI do Banco Master será analisada?
Segundo Hugo Motta, a proposta de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar irregularidades relacionadas ao Banco Master entra no fim de uma longa fila. Essa fila reúne pedidos protocolados no ano anterior, que, de acordo com ele, não chegaram a ser instalados, seguindo a ordem cronológica prevista no regimento.
Motta explicou que há um “estoque” de pedidos de Comissão Parlamentar de Inquérito aguardando análise, estimado entre 15 e 16 CPIs protocoladas em 2025. Nenhuma delas foi efetivamente instalada, o que faz com que o requerimento do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) só seja considerado após esses outros pedidos, sem prazo definido para decisão política. Veja o trecho da entrevista (Reprodução/X/@GloboNews):
Nesta terça-feira (03), o presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que descarta a instalação imediata de uma CPI do Banco Master e que os pedidos devem ser analisados na ordem cronológica. “Nós temos uma fila de CPIs, e elas são tratadas na ordem cronológica. No ano passado,… pic.twitter.com/ZivieKbJvx
— GloboNews (@GloboNews) February 3, 2026
Por que a CPI do Banco Master tem apoio da base e da oposição?
A proposta de CPI para investigar o Banco Master recebeu apoio de parlamentares de partidos do governo e da oposição, formando uma convergência pouco comum. Em seu último dia como líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) declarou que a bancada petista pretende assinar tanto o pedido de CPI quanto o de CPMI, articulada por Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).
Esse movimento é motivado principalmente pelo impacto financeiro do caso e pela preocupação com os investidores prejudicados. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central e o tamanho do rombo estimado geram pressão pública, além de envolver operações sensíveis, como as do Banco de Brasília (BRB), ampliando o alcance político do tema.
Qual é o tamanho do rombo do Banco Master?
O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, transferindo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a responsabilidade de ressarcir investidores dentro do limite de cobertura. Somadas as operações ligadas ao Will Bank, associado ao grupo chefiado por Daniel Vorcaro, o buraco financeiro é estimado em cerca de R$ 47,2 bilhões, segundo dados do BC.
Esse valor expressivo ajuda a explicar a mobilização parlamentar, devido ao potencial efeito sistêmico sobre bancos digitais e instituições de menor porte. A prisão de Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, sob suspeita de tentativa de fuga, intensificou questionamentos sobre governança, fiscalização e eventuais falhas na supervisão prudencial do sistema financeiro.
Como a CPI do Master pode afetar investidores e o sistema financeiro?
A eventual instalação da CPI do Banco Master tende a focar na responsabilidade da gestão do banco, na atuação dos órgãos de supervisão e na eficácia dos mecanismos de proteção aos investidores. Embora a CPI não julgue, ela pode produzir relatórios, propor mudanças legais e encaminhar fatos ao Ministério Público e aos órgãos de controle.
Para investidores, o ponto central é a atuação do FGC e o limite de cobertura dos depósitos, em contraste com a dimensão do rombo. O caso pode impulsionar debates sobre transparência de produtos financeiros, limites de risco para pessoas físicas e melhoria de regras para bancos emergentes, influenciando futuras normas de regulação e supervisão.