A saída de Andrew Mountbatten-Windsor do Royal Lodge, em Windsor, abre um novo capítulo na crise em torno de seus vínculos com Jeffrey Epstein, em meio à divulgação de novos arquivos do caso nesta quarta-feira (4/2) nos Estados Unidos e à análise de uma nova acusação pela Polícia do Vale do Tâmisa.
Por que Andrew deixou o Royal Lodge em Windsor?
Andrew, de 65 anos, vivia há décadas na mansão georgiana de 30 cômodos situada na propriedade real de Windsor e, segundo a imprensa britânica, esperava permanecer ali por mais tempo. No entanto, ele deixou o local discretamente em 2 de fevereiro, sendo levado para uma casa de campo em Sandringham, em Norfolk, no leste da Inglaterra.
A mudança é descrita por fontes palacianas como parte de uma fase de transição em que ele ainda poderá retornar pontualmente a Windsor, mas já sem o status de residente principal do Royal Lodge. A decisão foi coordenada com o gabinete do rei Charles III para reduzir o desgaste institucional em meio ao avanço das investigações e da pressão pública.
Como os vínculos com Jeffrey Epstein influenciaram essa decisão?
A recente abertura de novos arquivos do caso Epstein pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos reacendeu discussões e trouxe novas menções ao nome de Andrew.
Com a divulgação do novo lote de documentos, a Polícia do Vale do Tâmisa informou estar analisando uma nova acusação contra Andrew, o que ampliou a pressão sobre o Palácio. Segundo um amigo não identificado ouvido pelo jornal The Sun, as revelações mais recentes deixaram claro para o ex-príncipe que “era hora de ir embora”, contribuindo para a decisão de desocupar a mansão de Windsor e buscar um perfil ainda mais discreto.
Como a mudança afeta a família real britânica e a instituição?
A retirada de Andrew do Royal Lodge é vista como mais um passo no afastamento gradual do ex-príncipe da vida institucional da monarquia. Desde 2019, quando perdeu todos os deveres oficiais, ele passou a viver essencialmente em segundo plano, sem agenda pública regular e sem representar formalmente a Coroa em compromissos oficiais.
Em 2022, o ex-príncipe firmou um acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, que o acusava de abuso sexual quando era adolescente, o que reforçou o desgaste em torno de sua imagem e intensificou cobranças sobre o Palácio. Para compreender a escalada dessa crise dentro da Casa Real, é possível destacar alguns marcos importantes:
- 2019 – Afastamento de todos os deveres reais oficiais por decisão da rainha Elizabeth II.
- 2022 – Acordo extrajudicial com Virginia Giuffre, sem admissão formal de culpa.
- 2023/2024 – Novos documentos de Epstein vêm à tona, reacendendo o caso na mídia.
- 2024 – Reforço das críticas à presença de Andrew em propriedades reais britânicas.
- 2026 – Mudança de Windsor para Sandringham, em Norfolk, consolidando seu isolamento.
Por que o rei Charles retirou títulos e privilégios do ex-príncipe Andrew?
As ações do rei Charles III em relação ao irmão mais novo fazem parte de uma estratégia mais ampla de preservação da instituição monárquica e modernização da Casa Real. Em outubro do ano passado, ele optou por retirar formalmente o título de príncipe de Andrew e determinar sua saída da residência real em Windsor, numa tentativa de afastar a monarquia de escândalos sensíveis.
Ao justificar internamente as decisões, Charles enfatizou sua solidariedade às vítimas de abuso e o compromisso com padrões mais rígidos de responsabilidade. Analistas apontam quatro eixos principais para entender essa postura do monarca, que incluem reputação institucional, pressão pública e reorganização interna voltada a uma monarquia mais enxuta e focada em membros ativos.
Quais os próximos passos no caso?
O futuro do ex-príncipe Andrew permanece incerto, especialmente à luz da análise da nova acusação pela Polícia do Vale do Tâmisa e de possíveis desdobramentos a partir dos arquivos de Epstein. Esse processo pode resultar em arquivamento ou em novas iniciativas formais no Reino Unido, dependendo do teor e da robustez das evidências apresentadas às autoridades.
A permanência em Sandringham tende a manter Andrew afastado dos holofotes, em uma rotina mais reservada e com aparições públicas cada vez mais raras. Especialistas observam que seu retorno à vida pública parece improvável no curto prazo, sobretudo após a retirada de seu título e o rompimento simbólico com o Royal Lodge, embora sua posição formal na linha de sucessão permaneça inalterada.