Novos documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam detalhes inéditos sobre como Jeffrey Epstein reagiu ao atentado contra Jair Bolsonaro em 2018 e como a campanha do então candidato passou a ser observada por redes de influência internacionais ligadas à direita global, envolvendo figuras como Steve Bannon, Luiz Inácio Lula da Silva e Noam Chomsky.
Como Jeffrey Epstein reagiu à facada em Jair Bolsonaro?
As comunicações divulgadas mostram que a facada em Jair Bolsonaro circulou rapidamente entre figuras conectadas a Epstein. Em um dos e-mails, alguém informa: “Bolsonaro acabou de ser esfaqueado no Brasil”, ao que Epstein teria respondido de forma curta: “Antes ele do que eu”.
Esses registros indicam que o atentado foi acompanhado em tempo quase real por interlocutores internacionais ligados ao mercado financeiro e à consultoria política. Eles reforçam como o episódio, ocorrido em um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), ganhou repercussão bem além das fronteiras brasileiras e passou a ser visto como fator decisivo no curso da eleição. As informações são do portal Metrópoles.
Qual foi o impacto do atentado e o contexto eleitoral de 2018?
Além da reação imediata, os documentos sugerem que a facada se tornou peça central nas análises sobre a eleição de 2018. O ataque, somado ao ambiente polarizado, passou a integrar relatórios e comentários de observadores estrangeiros atentos à ascensão de líderes de direita em diferentes países.
O nome de Bolsonaro aparece associado a debates sobre imigração, economia e alinhamentos com governos conservadores, em meio a preocupações com estabilidade institucional no Brasil. Essas leituras internacionais buscavam entender como o episódio poderia influenciar o voto, a narrativa de vítima e a consolidação de sua base de apoio.
Como Jeffrey Epstein e Steve Bannon avaliavam Jair Bolsonaro?
Os e-mails revelam que Epstein comentava a atuação de Bolsonaro durante a campanha presidencial. Em mensagem de 8 de outubro de 2018, entre o primeiro e o segundo turno, ele teria escrito que “Bolsonaro mudou o jogo”, citando a postura contra refugiados, a resistência a pressões externas vindas de Bruxelas e a promessa de reativar a economia como agenda de impacto “massivo”.
Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, relatou uma aproximação com o grupo do então candidato, dizendo-se desejado como conselheiro. Em resposta, Epstein menciona a ideia de “reinar no inferno”, aludindo a estratégias de poder em cenários turbulentos e discutindo se uma eventual visita de Bannon ao Brasil fortaleceria sua imagem, caso a vitória de Bolsonaro parecesse segura.
Que papel tiveram Lula e Noam Chomsky nas trocas de e-mails?
Os documentos registram ainda menções a Luiz Inácio Lula da Silva e ao filósofo Noam Chomsky. Em uma das mensagens, Epstein afirma que Chomsky teria ligado para ele “da prisão ao lado do petista”, informação posteriormente negada pela esposa do intelectual e pelo Palácio do Planalto, que rechaçaram qualquer contato nesse período.
Epstein teria sugerido a Bannon evitar falar de Bolsonaro em encontros com Chomsky, destacando a proximidade do filósofo com Lula. Segundo essas trocas, Chomsky poderia questionar se Bannon estava “do lado dos pequenos”, numa crítica à agenda associada ao bolsonarismo e às políticas defendidas por setores da direita internacional.