A travessia sobre o Rio Tocantins na BR-226, entre Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), voltou a funcionar em 22 de dezembro de 2025, com a reinauguração da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, encerrando um ano de interrupções após o colapso do vão central em dezembro de 2024, que gerou vítimas, bloqueou um corredor rodoviário estratégico e obrigou o uso de balsas provisórias para moradores e cargas.
Por que a Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira é estratégica para a região?
Inaugurada em 29 de janeiro de 1961, a primeira versão da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira tinha aproximadamente 533 metros e duas faixas, adequada ao tráfego reduzido da época. Com o crescimento econômico e o aumento da frota, a ponte tornou-se o principal elo rodoviário entre Maranhão e Tocantins.
O colapso da antiga estrutura expôs fragilidades acumuladas em décadas de operação com tráfego intenso e pesado, incluindo caminhões de carga e ônibus de longa distância. Relatórios técnicos já indicavam necessidade de intervenções profundas, reforçando o debate sobre manutenção preventiva em obras de arte especiais.
Quais foram os impactos do desabamento da ponte e do uso de balsas?
Após o desabamento, a travessia passou a ser realizada com balsas gratuitas, o que reduziu a capacidade diária de transporte e aumentou o tempo de viagem. Caminhões passaram a depender de janelas de embarque, sujeitos a atrasos por nível do rio e condições de vento.
A mudança afetou o comércio regional, o abastecimento e o deslocamento de moradores para estudo, trabalho e saúde. A situação evidenciou a dependência de uma única travessia em um corredor estratégico e a necessidade de rotas alternativas e planos de contingência.
Como foi concebido o novo projeto da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira?
O novo projeto priorizou segurança estrutural, durabilidade e menor interferência no Rio Tocantins, com um vão livre de aproximadamente 150 metros sem pilares no canal principal. Essa solução reduz impactos hidráulicos, erosão nas fundações e risco de colisão com embarcações.
As fundações foram dimensionadas para suportar tráfego pesado contínuo e esforços horizontais significativos, com controle rigoroso de escavações submersas e concretagem. Entre os principais diferenciais do projeto, destacam-se:
- Vão central ampliado, com cerca de 150 metros, para melhorar a navegação.
- Fundações reforçadas para cargas verticais e ações dinâmicas intensas.
- Materiais e detalhes construtivos voltados à durabilidade e inspeção facilitada.
Confira abaixo no video divulgado no Instagram oficial do Ministério dos Transportes mostrando como a nova ponte impactou moradores:
Quais técnicas de engenharia foram usadas na reconstrução da ponte?
Na região central da nova ponte Juscelino Kubitschek, foi utilizado o método de balanço sucessivo, em que o tabuleiro avança em aduelas de concreto a partir dos pilares, dispensando escoramentos no leito do rio. Cabos de protensão são tensionados em sequência para controlar esforços e deformações.
O fechamento do vão central exigiu ajustes de milímetros com macacos hidráulicos e grautes de alta resistência, garantindo a correta transferência de esforços. Os acessos utilizaram vigas pré-moldadas e pré-lajes produzidas em série, acelerando a obra e padronizando a qualidade.
Como a reabertura da ponte impactou a logística e o cotidiano local?
Com a retomada plena da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-226 voltou a operar como corredor rodoviário contínuo, reduzindo filas e custos operacionais para caminhões e ônibus. A travessia deixou de depender das condições do rio, aumentando a previsibilidade dos prazos de transporte.
Para Estreito e Aguiarnópolis, a nova ponte restabeleceu a integração diária para comércio, serviços públicos, saúde e educação. O caso tornou-se referência nacional em reconstrução acelerada e reforçou o debate sobre monitoramento constante e manutenção preventiva de pontes em todo o país.