A construção da Ponte Binacional sobre o Rio Mamoré, entre Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayaramerín, no departamento de Beni, marca uma nova etapa na integração física entre Brasil e Bolívia, conectando a região amazônica a rotas internacionais de comércio, reduzindo a dependência de balsas, encurtando distâncias logísticas e retomando compromissos assumidos há mais de um século.
Qual é a importância estratégica da Ponte Binacional Guajará-Mirim?
A atual travessia por balsas, sujeita a interrupções, limita o volume de cargas e gera custos extras para exportadores e importadores. Com uma ponte estaiada de aproximadamente 1,22 km de extensão e 17,3 metros de largura e com investimento estimado em cerca de R$ 421 milhões, o transporte passa a ter maior regularidade e previsibilidade, favorecendo agronegócio, indústria e comércio regional.
O projeto prevê instalações aduaneiras integradas e fluxo coordenado de fiscalização, reduzindo etapas burocráticas na fronteira. Produtos como ureia e sal, da Bolívia, alcançarão com mais facilidade centros consumidores no Brasil, enquanto grãos, especialmente soja do Norte e Centro-Oeste, ganham uma rota adicional de escoamento para a Bolívia e outros mercados sul-americanos.
Como a ponte binacional muda a logística e os corredores de exportação?
Na prática, a Ponte Binacional sobre o Rio Mamoré reconfigura o mapa de transporte de parte da Amazônia brasileira. Em vez de depender apenas de rotas longas até grandes portos do Sudeste ou Nordeste, cargas poderão seguir pela Bolívia rumo ao Pacífico, ampliando opções logísticas.
Essa conexão coloca a estrutura no centro da discussão sobre corredores multimodais envolvendo Brasil, Bolívia, Chile e Peru. Além do agronegócio, a ligação favorece cadeias produtivas locais, como comércio de fronteira, serviços a caminhoneiros, armazenagem, turismo e pequenas indústrias ligadas ao beneficiamento de produtos agrícolas.
Quais benefícios logísticos e econômicos a ponte deve gerar?
Os impactos da Ponte Binacional sobre o Rio Mamoré concentram-se em logística, integração regional e desenvolvimento local. A redução do tempo de espera em balsas e o tráfego contínuo tendem a diminuir o custo operacional por tonelada, aumentando a competitividade das exportações.
Esses ganhos se desdobram em diversas frentes econômicas e de integração, entre as quais se destacam:
Integração aduaneira
Procedimentos de fronteira simplificados e coordenados entre Brasil e Bolívia, reduzindo burocracia e tempo de liberação de cargas.
Fortalecimento do comércio bilateral
Aumento do fluxo de ureia, sal, grãos e outros produtos agropecuários e industriais entre os dois países.
Conectividade regional
Integração a corredores internacionais, criando elo estratégico com rotas comerciais em direção ao Chile e ao Peru.
Geração de empregos
Ampliação da demanda por mão de obra na fase de construção e estímulo à criação de novos negócios locais.
Melhoria da mobilidade local
Deslocamento diário mais rápido e seguro entre Guajará-Mirim e Guayaramerín, beneficiando trabalhadores, estudantes e serviços.
Quais são os impactos sociais e ambientais previstos na região amazônica?
No campo social, a travessia mais estável tende a facilitar o acesso a serviços públicos, ensino superior, saúde e turismo de fronteira. A circulação de pessoas se torna mais simples, desde que acompanhada por acordos migratórios, de segurança e políticas de inclusão produtiva.
Ao mesmo tempo, o aumento de fluxo exige planejamento urbano, de trânsito e de fiscalização ambiental, considerando a sensibilidade da Amazônia. Medidas de mitigação de impactos, monitoramento de fauna e flora e controle de poluição tornam-se essenciais para conciliar desenvolvimento e preservação.
Confira abaixo o projeto da ponte divulgado no Instagram oficial do DNIT:
Como o cronograma e o histórico do projeto influenciam a obra?
O compromisso com uma ponte na região remonta ao Tratado de Petrópolis, no início do século XX, e foi reforçado em entendimentos bilaterais de 2007. A autorização formal em 2025 insere o empreendimento em um contexto em que a infraestrutura é vista como pilar da integração sul-americana.
O prazo estimado de 2,5 a 3 anos considera a complexidade de uma ponte estaiada, o clima amazônico e os trâmites de engenharia. Nesse período, ocorrem etapas como detalhamento executivo, instalação de canteiros, construção de pilares e estrutura, pavimentação, sinalização e montagem das estruturas aduaneiras e de controle de fronteira.