O caso envolvendo o ex-apresentador da CNN Don Lemon em Minnesota ganhou destaque nacional nos Estados Unidos e reacendeu debates sobre liberdade de imprensa, imigração, o papel das autoridades federais em protestos e os limites entre cobertura jornalística e ativismo político em um cenário já profundamente polarizado de protesto.
Como ocorreu a prisão de Don Lemon em protesto contra o ICE em Minnesota?
Don Lemon foi detido na noite desta quinta-feira (29/1) em uma igreja em St. Paul durante um protesto contra o ICE, órgão de fiscalização de imigração dos Estados Unidos. A manifestação, considerada pacífica pelos organizadores, aconteceu durante um culto, quando manifestantes entoaram palavras de ordem contra o órgão e contra o pastor, que também atua como agente do ICE.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou ter ordenado pessoalmente a prisão de Lemon e de outros três ativistas: Trahern Jeen Crews, Georgia Fort e Jamael Lydell Lundy. O governo descreveu o ato como um “ataque coordenado” à Igreja Cities, enquanto os participantes o classificaram como um protesto legítimo e disruptivo, mas não violento.
Por que o protesto ganhou tanta repercussão nacional?
O protesto na Igreja Cities ocorreu após semanas de escalada de manifestações contra o ICE em Minnesota, motivadas pela morte de dois cidadãos americanos: a poetisa Renée Nicole Good e o enfermeiro Alex Pretti, ambos de 37 anos. Suspeitas de retaliação por participação em protestos e uso excessivo da força por agentes migratórios aumentaram a indignação pública.
Esses episódios transformaram Minnesota em um novo epicentro de debates sobre políticas migratórias e direitos civis, aproximando comunidades de imigrantes, organizações religiosas e grupos de defesa de direitos humanos. A figura de um pastor que também é agente do ICE simbolizou, para muitos, a interseção entre fé, políticas de imigração e fiscalização estatal dentro da própria comunidade.
Qual foi o papel do Judiciário e do Departamento de Justiça no caso Don Lemon?
O Departamento de Justiça do governo Trump tentou incluir oito pessoas em um processo criminal ligado ao protesto, entre elas Don Lemon, sob a alegação de envolvimento em um “ataque coordenado” ao templo. No entanto, o juiz responsável decidiu não manter o nome de Lemon entre os indiciados, reduzindo o alcance da ação penal.
Essa decisão passou a ser vista como um termômetro das tensões entre Executivo, Judiciário e movimentos sociais, em meio a acusações de possível motivação política por se tratar de um jornalista crítico ao ex-presidente. Para juristas, o caso ilustra o debate sobre limites da atuação do Ministério Público federal e a necessidade de proteção contra processos com viés intimidatório.
Quais os impactos do caso?
Don Lemon afirmou que estava na igreja exclusivamente para cobrir o protesto, registrando depoimentos de fiéis, lideranças religiosas e organizadores, o que ele descreveu como atividade jornalística corriqueira. Já Pam Bondi sustentou que sua presença indicava participação ativa no ato, reacendendo o debate sobre quando a proximidade entre jornalistas e manifestantes passa a ser vista como engajamento político.
Após deixar a CNN em 2023 sob acusações de comentários considerados sexistas, Lemon se tornou um comunicador independente com forte atuação digital, fazendo críticas frequentes a Donald Trump e às políticas migratórias. Esse perfil ampliou a percepção de que sua prisão poderia ter caráter político e reforçou discussões sobre proteção a jornalistas em cenários de protesto e sobre a fronteira entre reportagem, opinião e ativismo.