A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve marca um novo capítulo na política monetária dos Estados Unidos, em um momento de incerteza sobre juros, inflação, crescimento global e o alcance das pressões políticas da Casa Branca sobre a autonomia do banco central.
Quais os impactos do anúncio de Kevin Warsh para o Fed por Trump?
Ao anunciar Kevin Warsh como sucessor de Jerome Powell, Donald Trump reforçou nesta sexta-feira (30/1) a preferência por alguém já conhecido no mundo financeiro. Warsh figurava entre os finalistas e havia se reunido com o presidente na Casa Branca na véspera do anúncio, o que alimentou a especulação nos mercados.
Com histórico de participação no Fed entre 2006 e 2011, Warsh se destacou por alertar para riscos inflacionários em plena crise financeira global. Por esse motivo, passou a ser visto como um dirigente de perfil hawkish, mais inclinado ao aperto monetário e à defesa da credibilidade do banco central.
Como o mercado reagiu ao anúncio de Kevin Warsh?
A reação imediata dos mercados financeiros à indicação de Warsh combinou cautela em ativos de risco e movimentos moderados em ativos de proteção. O Fed havia mantido as taxas estáveis após três cortes no fim de 2025, e qualquer sinal de mudança de rota ganhou peso adicional nas decisões de curto prazo.
Após o anúncio na Truth Social, os futuros do S&P 500 recuaram cerca de 0,4%, enquanto o dólar avançou 0,2% e o ouro caiu 4,6%. Nos Treasuries de 10 anos, o impacto foi limitado, e as bolsas europeias subiram cerca de 0,7%, apoiadas em dados melhores de crescimento na zona do euro:
- Ações americanas: queda moderada nos futuros do S&P 500.
- Dólar: leve alta após semanas de desempenho fraco.
- Ouro: perda expressiva, com menor busca por proteção.
- Treasuries de 10 anos: rendimentos estáveis, sem mudança brusca.
O que esperar da política de juros do Fed?
A gestão de Kevin Warsh tende a buscar um equilíbrio entre combate à inflação e demanda política por juros mais baixos. Embora historicamente mais rígido com pressões inflacionárias, ele recentemente adotou discurso mais favorável a cortes, em linha parcial com os interesses de Trump e com a tese de ganhos de produtividade via inteligência artificial.
Estrategistas avaliam que sua visão pode levar a uma curva de juros mais inclinada, com taxas de curto prazo recuando e prazos longos permanecendo firmes ou em alta. Para emergentes, mudanças na trajetória de juros dos EUA podem alterar fluxos de capital, custo de financiamento e apetite global por risco.
Quais os próximos passos para o Fed?
Trump criticou publicamente dirigentes do Fed por não reduzirem juros no ritmo desejado em seu segundo mandato, reacendendo debates sobre a independência do banco central. Nesse ambiente, Warsh precisará sinalizar que decisões seguirão baseadas em dados, preservando a credibilidade institucional perante o Congresso e investidores globais.
Relatos internos indicam que Warsh é visto como figura respeitada, capaz de construir consensos no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). O desafio será alinhar sua reputação de “falcão” da inflação com um cenário em que o mercado ainda precifica dois cortes de juros neste ano.