A convocação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS coloca novamente em evidência investigações sobre possíveis irregularidades no sistema previdenciário. A oitiva está marcada para 5 de fevereiro de 2026, em Brasília, e integra uma ofensiva do colegiado para detalhar o envolvimento de empresários e agentes do setor financeiro em operações ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social.
Como funciona a CPI do INSS?
A CPMI do INSS foi criada para investigar suspeitas de fraudes, desvios e irregularidades envolvendo benefícios previdenciários, contratos e operações financeiras ligadas ao instituto. Em 2025, o trabalho ganhou força com novas convocações, quebras de sigilo e maior integração entre Senado e Câmara, ampliando o volume de dados analisados.
Na prática, a CPI do INSS se concentra em empréstimos consignados, intermediação de benefícios e possível favorecimento a instituições financeiras com acesso a dados de aposentados e pensionistas. A partir desses indícios, parlamentares passaram a considerar essencial ouvir controladores de bancos, dirigentes de empresas e intermediários citados em documentos oficiais.
Por que o depoimento de Daniel Vorcaro é considerado estratégico pela CPI?
O depoimento de Daniel Vorcaro é visto como peça-chave para esclarecer a relação entre o Banco Master e operações ligadas ao INSS, especialmente em crédito consignado e uso de dados de beneficiários. Além da convocação, o colegiado aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do empresário, ampliando o acesso a informações financeiras e comunicações eletrônicas.
Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a convocação de Vorcaro e de Luiz Félix Cardamone Neto busca evitar que possíveis envolvidos se apoiem em liminares ou habeas corpus para não comparecer. No caso de Maurício Camisotti, a comissão tenta reverter uma decisão judicial que o dispensa de depor, reduzindo o espaço para manobras jurídicas que possam limitar o avanço das apurações. Veja a publicação de Carlos Viana:
Comunicamos ao Brasil que Daniel Vocaro e Luiz Félix Cardamone Neto foram convocados para comparecer nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, perante a CPMI do INSS.
— Carlos Viana (@carlosaviana) January 28, 2026
Em relação a Maurício Camisoti, a Comissão atua para reverter o Habeas Corpus que, de forma provisória, garante o…
Quais temas a CPI do INSS pretende esclarecer com o Banco Master?
Ao levar o dono do Banco Master a uma sessão pública, a CPI pretende detalhar contratos com entes públicos, a participação em operações de crédito voltadas a beneficiários do INSS e eventuais vantagens indevidas. A comissão também busca verificar se houve cobranças de comissões atípicas ou uso irregular de dados sensíveis de aposentados e pensionistas, em desacordo com normas de proteção de dados.
Nesse contexto, os parlamentares estruturaram uma agenda mínima de pontos a serem explorados com Vorcaro e demais convocados, de forma a orientar as próximas etapas da investigação:
- Natureza e condições de contratos firmados com órgãos e entidades ligados ao sistema previdenciário.
- Modelo de concessão de empréstimos consignados e relação com correspondentes e intermediários.
- Fluxo de dados pessoais de beneficiários e medidas de proteção ou compartilhamento adotadas.
- Possível existência de vantagens indevidas, fraudes, comissões irregulares ou conflitos de interesse.
Quais são os próximos passos da CPI do INSS?
Com a oitiva de Daniel Vorcaro marcada para 5 de fevereiro de 2026, a CPMI entra em fase de cruzamento de depoimentos com os dados obtidos pelas quebras de sigilo já aprovadas. A tendência é que, após ouvir o dono do Banco Master e outros convocados, o colegiado avance para relatórios parciais e encaminhamento de informações a órgãos de controle e investigação, como Ministério Público, Polícia Federal e Tribunal de Contas.
Entre os possíveis desdobramentos estão pedidos adicionais de informações a bancos e órgãos públicos, novas quebras de sigilo e convocação de outros executivos e ex-dirigentes do setor financeiro. A CPI também pretende propor mudanças legais sobre empréstimos consignados, proteção de dados de beneficiários e critérios de contratação de instituições financeiras que atuam com aposentados e pensionistas.