O anúncio do fim da produção do Tesla Model S e do Model X marca uma mudança profunda na estratégia da montadora. Os dois carros, que ajudaram a consolidar a Tesla como referência em veículos elétricos premium, serão deixados de lado para abrir espaço a uma nova aposta: a produção em larga escala de robôs humanoides e o avanço dos projetos de robotáxis, em um cenário de queda de lucros, desaceleração nas vendas e aumento da concorrência global no setor de mobilidade elétrica.
Como o fim do Model S e do Model X indica foco em robótica e IA?
Durante a teleconferência de resultados nessa quarta (28/1), Elon Musk detalhou que o espaço fabril antes dedicado aos modelos mais caros será redirecionado para uma nova linha de negócios focada em robótica e inteligência artificial. O executivo reforçou que a venda de carros elétricos tende a se tornar algo secundário, diante do potencial dos serviços autônomos e de robôs humanoides, consolidando a Tesla como empresa de tecnologia e IA.
O fim da linha de produção do Model S e do Model X deve ocorrer ao longo do próximo trimestre, segundo a empresa. Embora sejam veículos emblemáticos, hoje respondem por cerca de 3% das entregas globais, o que reduz o impacto direto nas vendas, mas evidencia a mudança de foco estratégico para soluções de automação avançada.
Como os robôs humanoides se conectam à nova estratégia da Tesla?
Musk tem apresentado os robôs humanoides como peças centrais do futuro da companhia, ao lado da frota de robotáxis. A realocação do espaço industrial permite acelerar o desenvolvimento e, potencialmente, aumentar a escala desses robôs, voltados a aplicações em fábricas, serviços e, no longo prazo, até uso doméstico.
Essa virada se conecta aos investimentos da Tesla em softwares de direção autônoma, redes neurais e processamento de dados em larga escala. A integração entre hardware e software pretende criar um ecossistema em que robôs e veículos compartilham a mesma base de IA, reduzindo custos de desenvolvimento e ampliando o potencial de receita recorrente com serviços.
Qual é o papel do Cybercab e dos robotáxis na visão de longo prazo?
Dentro desse plano, um dos projetos mais citados por Musk é o Cybercab, um veículo autônomo de dois lugares, sem volante ou pedais, pensado como “robô-táxi”. A previsão do executivo é que, se aprovado e escalado, esse modelo poderia atingir vendas “várias vezes maiores” que todos os outros veículos da Tesla somados, apoiado em um modelo de negócios baseado em tarifas de mobilidade.
Apesar do discurso ambicioso, o serviço de robotáxis ainda não opera amplamente: viagens atuais utilizam funcionários como monitores de segurança, enquanto concorrentes já oferecem serviços totalmente autônomos em mais cidades. Barreiras técnicas, regulatórias e de confiança do público precisam ser superadas para que o Cybercab se torne um produto de grande escala.
Como os resultados financeiros e a concorrência pressionam a Tesla?
O movimento de abandonar o Model S e o Model X ocorre em um contexto de pressão financeira. No último trimestre de 2025, o lucro ajustado da Tesla recuou 16%, enquanto o lucro líquido caiu 61% no período e 46% no acumulado do ano, uma redução de cerca de US$ 3,3 bilhões, acompanhada pela maior queda anual no volume de vendas da companhia.
Desde 2022, a trajetória de faturamento mostra retração relevante, com a receita anual atual equivalente a aproximadamente 30% dos US$ 12,6 bilhões do melhor ano da empresa. A perda da liderança global em veículos elétricos para a chinesa BYD, a retirada de incentivos fiscais nos EUA e questões de imagem ligadas às atividades políticas de Musk intensificam a competição e a cautela dos consumidores.
Qual é o impacto da xAI e da IA no novo rumo da Tesla?
O relatório de resultados revelou um acordo para investir US$ 2 bilhões na xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Musk em 2023, que também controla a plataforma X. Esse aporte reforça a estratégia de integrar hardware, software de direção autônoma e modelos avançados de IA em produtos como carros, robôs humanoides e serviços de mobilidade compartilhada:
- A velocidade de desenvolvimento e aprovação regulatória do Cybercab e de outros robotáxis.
- A adoção real de robôs humanoides em ambientes industriais, comerciais e, futuramente, domésticos.
- A capacidade da Tesla de recuperar parte do ritmo de crescimento em mercados-chave diante de concorrentes como BYD.
- Os efeitos do investimento na xAI sobre produtos e serviços integrados de IA e novas fontes de receita recorrente.