O alerta feito por Donald Trump ao Irã reacendeu o debate internacional sobre o futuro do programa nuclear iraniano e o risco de uma escalada militar no Oriente Médio. Em mensagem publicada na plataforma Truth Social nesta quarta-feira (28/1), o presidente dos Estados Unidos afirmou que o próximo ataque americano contra o país persa “será muito pior” caso não haja um novo entendimento diplomático, em um cenário de tensão acumulada pela saída dos EUA do acordo nuclear de 2015 durante o primeiro mandato de Trump.
Como foi a ameaça de novo ataque dos EUA ao Irã?
A frase “o próximo ataque será muito pior” foi interpretada como um recado direto à liderança iraniana. Trump sinalizou que outra “armada” estaria a caminho da região, sugerindo movimentação militar em direção ao Golfo Pérsico ou áreas estratégicas próximas ao Irã e ampliando a percepção de risco de confronto.
A combinação de ameaças militares, sanções econômicas e retórica de pressão máxima preocupa governos regionais e organismos internacionais.
Quais os motivos de Trump para insistir em um novo acordo nuclear com o Irã?
Trump afirma desejar um entendimento “sem armas nucleares” e “bom para todas as partes”, o que significaria um arranjo mais rígido que o acordo de 2015. Em sua visão, seriam necessários monitoramento reforçado, inspeções mais intrusivas e mecanismos de punição automáticos em caso de descumprimento.
Do ponto de vista diplomático, a cobrança por um pacto revisado está ligada a objetivos amplos de segurança e contenção da influência iraniana na região, integrando a estratégia americana de pressão máxima e alianças com Israel e monarquias do Golfo:
- Controle nuclear: impedir que o Irã alcance capacidade de produzir armas atômicas.
- Influência regional: conter a atuação iraniana em conflitos no Oriente Médio.
- Pressão econômica: usar sanções como ferramenta para levá-lo à mesa de negociação.
Como o Irã tem reagido?
Enquanto Trump fala em acordo e ameaça um ataque mais duro, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, declarou que não houve qualquer contato recente com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff. Ele também afirmou que não solicitou negociações, reforçando a mensagem de que Teerã não aceita dialogar sob pressão aberta.
Esse desencontro cria um impasse: Washington exibe publicamente sua disposição para um acordo mais rígido, enquanto o Irã sinaliza que só aceitaria conversas em condições de maior equilíbrio. Nesse vácuo, intermediários europeus e regionais costumam atuar de forma reservada para reduzir riscos de erro de cálculo.
Quais os cenários possíveis caso não haja acordo entre EUA e Irã?
Sem entendimento diplomático, as declarações recentes apontam para três cenários principais: manutenção da tensão sem confronto direto, intensificação de sanções econômicas ou algum tipo de ataque militar mais amplo. Cada hipótese teria impactos distintos na segurança regional, no mercado de energia e nas relações entre grandes potências.
Um eventual ataque de maior escala poderia mirar instalações nucleares, bases militares ou infraestrutura estratégica iraniana, elevando o risco de retaliação a alvos americanos ou aliados. Mesmo assim, a possibilidade de uma nova rodada de negociações indiretas permanece, como em crises anteriores envolvendo o programa nuclear do Irã.