O ronco acompanha a rotina de milhões de brasileiros e, em muitos casos, passa anos sendo tratado apenas como um barulho incômodo na madrugada. A ciência, porém, mostra que o problema está diretamente ligado à qualidade do sono e pode afetar disposição, concentração e até a saúde cardiovascular. Dados da Associação Brasileira do Sono indicam que cerca de 40% da população adulta enfrenta algum grau de ronco, o que torna o tema relevante para quem busca um descanso realmente reparador.
Como o ronco é causado?
O ronco costuma aparecer quando há uma obstrução parcial da via aérea superior, principalmente na faringe. Em pessoas com uma anatomia naturalmente mais estreita, esse bloqueio ocorre com maior facilidade. Durante o sono, a musculatura relaxa, a passagem de ar diminui e o atrito dos tecidos gera o ruído característico.
Em muitos casos, o ronco vem acompanhado de despertares breves, nem sempre percebidos, que fragmentam o sono. Quando o problema se torna frequente, pode contribuir para sonolência diurna, irritabilidade, queda de desempenho e, em alguns casos, aumento do risco cardiovascular e metabólico.
Quais fatores favorecem o ronco?
Entre os fatores que mais influenciam o estreitamento da via aérea estão a posição ao dormir, o excesso de peso e problemas de obstrução nasal. Ao deitar de barriga para cima, a língua tende a cair para trás, ocupando mais espaço na garganta e dificultando a passagem do ar.
O ganho de peso aumenta o acúmulo de gordura ao redor da via aérea e na língua, enquanto o nariz entupido favorece a respiração pela boca. Isso desloca a base da língua para trás e amplia a chance de roncar, especialmente em pessoas com predisposição anatômica ou histórico familiar.
Quais hábitos ajudam a diminuir o ronco?
Pesquisas em Medicina do Sono apontam quatro hábitos com efeito comprovado na redução do ronco, principalmente em quadros leves e moderados. Embora não sejam solução imediata para todos, podem reduzir significativamente o barulho e melhorar a qualidade do descanso:
- Dormir de lado: mudar a posição de dormir é uma das intervenções mais diretas. Um travesseiro mais alto, que mantenha a cabeça alinhada ao tronco, e outro entre as pernas ajudam a sustentar a postura durante a noite.
- Perder peso: o emagrecimento reduz o acúmulo de gordura ao redor da via aérea e na língua. Estudos indicam que uma perda de cerca de 10% do peso corporal pode melhorar quadros de apneia do sono e, consequentemente, o ronco.
- Evitar álcool e relaxantes antes de dormir: bebidas alcoólicas e certos medicamentos relaxam demais a musculatura da garganta. Reduzir ou suspender o consumo próximo ao horário de dormir é importante para quem apresenta ronco frequente.
- Exercitar a garganta: exercícios específicos, geralmente orientados por fonoaudiólogos, fortalecem a musculatura da língua, do palato e da faringe. A prática regular ajuda a evitar o relaxamento excessivo que favorece o ronco.
Quando você deve procurar um médico?
Em alguns casos, o ronco é um sinal de apneia do sono, condição em que a respiração sofre pausas repetidas durante a noite. Isso costuma se manifestar por sonolência excessiva diurna, dor de cabeça matinal, queda de desempenho e relatos de engasgos noturnos ou sufocamento.
Em centros de Medicina do Sono, o diagnóstico é feito com exames como a polissonografia, que monitora respiração, oxigenação e fases do sono. O tratamento pode envolver mudanças de estilo de vida, aparelhos que mantêm a via aérea aberta e, em situações selecionadas, intervenções cirúrgicas. Veja mais dicas de como lidar com o problema no vídeo divulgado pelo Doutor Drauzio Varella:
@portaldrauziovarella Respondendo a @neidefreitas8709 Reclamam do barulho quando dormem perto de você? Então tá na hora de investigar 👀 #drauziocorreaqui #ronco #otorrinolaringologista #sono ♬ som original – Portal Drauzio