A decisão da Amazon de demitir cerca de 16 mil funcionários, anunciada nesta quarta-feira (28/1), volta a colocar o setor de tecnologia sob os holofotes, reforçando um cenário de revisão de custos, enxugamento de estruturas e busca por maior eficiência operacional em big techs.
Como a demissão em massa na Amazon atinge 16 mil funcionários?
A nova rodada de cortes atinge principalmente áreas de tecnologia e funções corporativas, com foco em equipes onde há sobreposição de funções ou necessidade de simplificar processos. Somados aos 14 mil desligamentos anunciados em outubro de 2025, os 16 mil cortes de janeiro de 2026 elevam para cerca de 30 mil o total de postos eliminados em menos de um ano.
Segundo comunicado de Beth Galetti, vice-presidente de experiência de pessoas e tecnologia, funcionários baseados nos Estados Unidos terão 90 dias para buscar recolocação interna. Após esse prazo, quem não for realocado receberá pacotes de indenização, apoio especializado para recolocação profissional e extensão temporária de benefícios de saúde, variando conforme o país e a legislação local.
O que muda para as equipes da Amazon no Brasil e em outros países?
No Brasil, ainda não há confirmação sobre o alcance dos cortes, e a empresa não detalhou se áreas como comércio eletrônico, logística e serviços em nuvem serão afetadas. A ausência de resposta oficial mantém em aberto o impacto sobre centros de distribuição, atendimento ao cliente e times técnicos locais.
Em outros mercados, sindicatos e associações de trabalhadores acompanham o caso, questionando transparência, critérios de seleção e suporte oferecido aos demitidos. Esse monitoramento pressiona a Amazon a ajustar políticas de desligamento e comunicação interna para reduzir incertezas e preservar sua imagem empregadora.
Quais os detalhes sobre o “Project Dawn”?
Um e-mail enviado por engano a funcionários da Amazon Web Services (AWS), assinado por Colleen Aubrey, vice-presidente sênior de soluções de IA aplicada, mencionou diretamente o plano de cortes codinome “Project Dawn” antes do anúncio oficial. A mensagem dizia, de forma incorreta, que colaboradores nos Estados Unidos, Canadá e Costa Rica já haviam sido avisados de que perderiam seus cargos, convidando-os para uma reunião posteriormente cancelada.
Em canais internos como o Slack, funcionários da AWS expressaram surpresa e desconforto com a antecipação da informação, criticando a condução do processo. O episódio expôs a sensibilidade de demissões em larga escala em empresas que dizem valorizar transparência e mostrou a pressão sobre áreas estratégicas, como computação em nuvem e inteligência artificial, essenciais para receita e inovação.
Por que a Amazon está cortando custos?
A empresa relaciona oficialmente os cortes à necessidade de simplificar estruturas internas, reduzir camadas hierárquicas e acelerar a tomada de decisão, concentrando mais responsabilidades em menos gestores. Na prática, há realocação de recursos para áreas vistas como críticas, como IA generativa, logística automatizada e expansão de serviços de nuvem para empresas, enquanto projetos menos estratégicos são reduzidos ou encerrados.
Esse movimento ocorre em um contexto de reestruturação global do setor de tecnologia, após anos de forte expansão e contratações aceleradas. Como reflexo, outras big techs observam a estratégia da Amazon e podem adotar ajustes semelhantes em times administrativos, suporte e engenharia, influenciando padrão de vagas, exigências técnicas e estabilidade de carreiras digitais.
Quais os próximos passos para empresas do segmento?
As demissões sugerem uma fase em que grandes empresas de tecnologia buscam equilibrar crescimento, lucratividade e eficiência com métricas mais rígidas. A lógica de expansão com múltiplos projetos simultâneos dá lugar a foco maior em retorno sobre investimento, afetando tanto funções técnicas quanto papéis corporativos tradicionais, como RH, marketing e operações.
Para profissionais que atuam ou desejam atuar em big techs, algumas tendências se destacam como mais relevantes nesse contexto:
- Maior valorização de habilidades em nuvem, segurança digital, análise de dados e inteligência artificial aplicada.
- Necessidade de flexibilidade para transitar entre projetos, produtos e equipes conforme mudanças de estratégia.
- Crescimento de discussões sobre proteção trabalhista, estabilidade relativa e modelos híbridos ou remotos de trabalho.
- Mercado ainda competitivo, porém mais seletivo, com foco em impacto mensurável e entrega de resultados.