O debate em torno das relações entre integrantes do Supremo Tribunal Federal e envolvidos no caso Banco Master ganhou novo capítulo com a manifestação do ministro Alexandre de Moraes, que negou reunião com o banqueiro Daniel Vorcaro e classificou o noticiário recente como parte de um “padrão criminoso de ataques”, em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal e ao escrutínio público sobre contratos milionários ligados a autoridades e seus familiares.
Como Alexandre de Moraes reagiu às acusações?
A suposta reunião entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central nas investigações do caso Master, foi o foco inicial da controvérsia. Segundo reportagem do portal Metrópoles, o encontro teria ocorrido em 2025, na mansão do empresário em Brasília, o que foi veementemente negado pela assessoria do STF.
Em nota oficial nesta terça-feira (27/1), Moraes classificou a notícia como “falsa e mentirosa” e inseriu o episódio em um contexto mais amplo de “padrão criminoso de ataques” contra ministros do Supremo. A Corte sustenta que há uma estratégia organizada de desqualificação pessoal e institucional, baseada em informações distorcidas ou sem fundamento, especialmente em um ambiente político polarizado.
Qual é o contexto das investigações sobre o Banco Master?
O Banco Master tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB), em operações que podem chegar a R$ 12 bilhões. A gravidade do caso levou o Banco Central a decretar a liquidação da instituição financeira, medida extrema para proteger o sistema financeiro e os credores.
A partir da liquidação, contratos e relações profissionais do grupo passaram a ser vasculhados por autoridades e pela imprensa, com atenção especial para serviços advocatícios e consultorias de alto valor. Esse contexto ampliou questionamentos sobre governança, compliance e possíveis conflitos de interesse envolvendo figuras públicas e seus familiares.
Como os contratos com autoridades entram nas suspeitas?
Entre os vínculos investigados está o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o “Lewandowski Advogados”. O acordo previa o pagamento mensal de R$ 250 mil em consultoria jurídica, entre agosto de 2023 e setembro de 2025, somando mais de R$ 6 milhões no período, em parte concomitante ao exercício do cargo ministerial.
Em nota, Lewandowski confirmou o contrato, mas negou relação entre a consultoria e sua saída do Ministério da Justiça, alegando motivos pessoais e acadêmicos. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre ilegalidades nesses contratos, mas órgãos de controle acompanham a possibilidade de conflito de interesse e eventual influência sobre políticas públicas sensíveis.
Quais os detalhes sobre o contrato ligado à esposa de Alexandre de Moraes?
Outro ponto que ampliou a repercussão do caso foi a descoberta de um contrato envolvendo empresa ligada à esposa de Alexandre de Moraes, identificada em documentos apreendidos na operação Compliance Zero. O acordo previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos em negócios relacionados ao universo do Banco Master, o que provocou intensos questionamentos públicos.
A revelação desse contrato, somada a outros vínculos com o banco, reforçou dúvidas sobre a independência de autoridades eventualmente conectadas às partes investigadas. Nesse ambiente, qualquer informação sobre encontros ou tratativas privadas ganha destaque imediato, alimentando o debate sobre a fronteira entre investigação legítima e ataques difamatórios a integrantes do STF.