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Ave pré-histórica considerada extinta há mais de um século reaparece e surpreende cientistas

Por Junior Melo
28/jan/2026
Em Geral
Ave pré-histórica considerada extinta há mais de um século reaparece e surpreende cientistas

Ave takahē - Foto: Creative Commons

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Redescoberto em meados do século 20, o takahē da Ilha Sul tornou-se um dos casos mais emblemáticos de retorno de uma espécie dada como extinta há cerca de 125 anos, reunindo ciência, governo e povos indígenas na Nova Zelândia em um esforço para restaurar parte de sua fauna pré-histórica.

O que é o takahē e por que ele é considerado uma ave pré-histórica?

O takahē da Ilha Sul (Porphyrio hochstetteri) é uma ave não voadora, robusta e terrestre, com cerca de meio metro de altura, pernas fortes e hábitos predominantemente noturnos. Sua plumagem combina azul escuro, turquesa iridescente e verde oliva, em contraste com o bico e as pernas vermelhas, e ele depende da corrida e da camuflagem na vegetação para escapar de ameaças.

Classificado como espécie relicta, o takahē é descrito como uma ave de aparência “pré-histórica” porque seus ancestrais já ocupavam a Nova Zelândia durante o Pleistoceno. Registros fósseis mostram que sobreviveu a ciclos glaciais e mudanças ambientais intensas, tornando-se importante para compreender a evolução de aves terrestres em ilhas isoladas. Veja imagens da ave (Reprodução/TikTok/@jeffhyer):

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@jeffhyer Takahēs, large and flightless birds native to New Zealand, are a unique species known for their striking blue and green plumage. Once thought to be extinct, they were rediscovered in 1948 in the remote Fiordland region, stunning the world with their survival against the odds. This discovery ignited a global conservation effort to protect these rare birds and their fragile habitat. Conservationists face a significant challenge in growing the takahē population due to low genetic diversity. With only a small number of individuals remaining, inbreeding poses a threat to their long-term survival. To combat this issue, scientists have implemented carefully managed breeding programs aimed at maximizing genetic variation within the population. Through strategic mating and genetic testing, efforts are underway to ensure the health and resilience of future generations. Despite their large size, takahēs are renowned for their surprisingly small, pellet-like droppings. They drop so many , that they can drop 9 meters worth of them in a single day. As integral members of New Zealand's biodiversity, takahēs continue to capture the imagination of conservationists and nature enthusiasts alike, highlighting the importance of preserving these magnificent birds for generations to come. Places where you can see takahēs that I visited in New Zealand: -Zealandia, Wellington (North Island) -Te Anau Bird Sanctuary (South Island) #takahe #wildlife #NewZealand ♬ original sound – Jeff Hyer

Qual é a importância cultural do takahē para o povo Ngāi Tahu?

Além do valor biológico, o takahē é tratado como um taonga, um tesouro cultural e espiritual para o povo indígena Ngāi Tahu, da Ilha Sul. Nessa perspectiva, ele funciona como um kaitiaki, um guardião simbólico da paisagem ancestral que conecta a fauna atual a mitos, histórias orais e tradições maori.

Esse status especial faz com que as decisões de conservação sejam discutidas de forma colaborativa entre comunidades maori e órgãos governamentais. A presença do takahē em territórios tradicionais reforça a identidade coletiva e estimula programas de educação ambiental voltados para jovens Ngāi Tahu.

Como o takahē foi considerado extinto e redescoberto na natureza?

No século 19, a chegada de colonos europeus levou à modificação intensa do habitat do takahē e à introdução de mamíferos predadores, como furões, ratos e gatos. Somadas à caça e à perda de áreas naturais, essas pressões causaram rápido declínio, e por volta de 1898 a espécie foi considerada extinta na vida selvagem.

Em 1948, uma expedição encontrou um pequeno grupo de aves nas montanhas de Murchison, na Ilha Sul, surpreendendo pesquisadores e motivando um dos programas de conservação mais longos da Nova Zelândia. A partir daí, o Departamento de Conservação (DOC) iniciou reprodução em cativeiro, criação de populações em ilhas livres de predadores e translocações planejadas, fazendo a população crescer de cerca de 300 indivíduos em 2016 para mais de 500 em 2023.

Onde o takahē vive hoje e quais são seus principais desafios?

O retorno do takahē a vales históricos é recente e simbólico. Em agosto de 2023, o DOC e a comunidade Ngāi Tahu libertaram 18 aves no Vale de Greenstone, na região do alto Whakatipu, área com condições ambientais semelhantes às usadas pela espécie antes do declínio e que integra o território tradicional Ngāi Tahu.

Desde então, novos grupos foram soltos, incluindo mais de 50 takahēs no Vale de Rees e outras 18 aves em Greenstone, em 2025, com o objetivo de formar núcleos autossustentáveis em habitat natural. Contudo, predadores terrestres ainda são a principal ameaça, pois ovos e filhotes em ninhos no chão ficam expostos a furões, ratos e gatos, exigindo redes extensas de armadilhas, monitoramento constante e seleção criteriosa de áreas de reintrodução.

Como o comportamento influencia a conservação do takahē?

O takahē é conhecido pela monogamia, formando casais estáveis que podem durar muitos anos, possivelmente toda a vida. O par constrói ninhos escondidos sob vegetação densa, bota de um a três ovos, geralmente dois, e macho e fêmea compartilham o cuidado com os filhotes, o que torna o ciclo reprodutivo lento, porém eficiente em ambientes bem protegidos.

Esse padrão, somado ao papel cultural da espécie, molda prioridades de manejo e ações sociais em torno de sua proteção. Entre os pontos mais destacados por pesquisadores, gestores e comunidades sobre a importância atual do takahē estão:

  • Sua função como símbolo de recuperação de espécies consideradas extintas na natureza.
  • O valor como taonga e kaitiaki para o povo Ngāi Tahu, fortalecendo identidades locais.
  • A necessidade de controle contínuo de predadores e financiamento estável para manter populações viáveis.
  • O potencial educativo para ilustrar desafios e soluções em conservação de fauna insular.
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