O caso envolvendo o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, ganhou novo capítulo com a decisão nesta segunda-feira (26/1) do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve a prisão preventiva do investigado, reforçando a preocupação da Corte com delitos de grande impacto financeiro e social envolvendo recursos públicos.
Por que o ministro André Mendonça manteve a prisão preventiva do Careca do INSS?
Na análise do ministro André Mendonça, os elementos já reunidos no processo indicam que a liberdade de Antônio Carlos Camilo Antunes poderia representar risco concreto à ordem pública e ao andamento das apurações. Segundo o entendimento do magistrado, há indícios de possível reiteração criminosa, bem como de interferência na coleta de provas ou no depoimento de outros investigados.
A defesa alegou que o empresário colaborou com a Justiça, não tentou fugir e não exerce mais funções que possibilitariam a continuidade das supostas práticas ilícitas. Mesmo assim, o ministro considerou a gravidade do esquema investigado, o montante potencialmente desviado e a complexidade da organização como fatores que justificam a manutenção da medida cautelar mais rígida.
O que está sendo investigado na Operação Sem Desconto?
A Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal, apura um suposto esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, em que aposentados teriam sido incluídos em associações sem autorização adequada. As investigações indicam o uso de convênios, cadastros e sistemas de débito automático para efetuar cobranças mensais diretamente nos benefícios previdenciários.
De acordo com dados divulgados pelas autoridades, o prejuízo potencial do esquema pode chegar a cerca de R$ 6,3 bilhões, somando valores descontados indevidamente ao longo do tempo. Os investigadores analisam contratos, movimentações bancárias, registros do INSS e depoimentos para identificar responsáveis, falhas de fiscalização e o fluxo financeiro entre empresas, associações e intermediários.
Como a defesa do Careca do INSS se pronuncia?
Em fala à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em 2025, Antônio Carlos Camilo Antunes negou participação nas irregularidades e classificou sua prisão preventiva como medida “extremamente grave”. Segundo ele, haveria uma “premissa equivocada” sobre o funcionamento da sua empresa e sobre sua relação com os descontos contestados por beneficiários.
Antunes sustenta que sua empresa apenas prestava serviços a associações, tendo como destinatário final o aposentado associado, sem ingerência sobre a efetivação dos descontos nos benefícios. Para a defesa, eventuais cobranças indevidas seriam de responsabilidade exclusiva das entidades que gerenciavam as listas de associados e encaminhavam os pedidos de desconto ao sistema previdenciário.
Quais são os possíveis impactos do caso?
Com a manutenção da prisão preventiva e o prosseguimento das investigações, o caso reforça debates sobre proteção de dados, transparência em convênios e controle dos descontos em benefícios previdenciários. Órgãos de fiscalização vêm intensificando o monitoramento de reclamações de segurados que relatam débitos desconhecidos, em especial relacionados a associações das quais não se lembram de ter participado.
Nesse contexto, diferentes medidas administrativas e de orientação aos segurados vêm sendo discutidas para aprimorar a segurança e o acompanhamento dos benefícios:
- Revisão de convênios entre INSS e associações ou entidades representativas.
- Melhoria e simplificação dos canais de contestação de descontos pelos beneficiários.
- Maior exigência de comprovação de autorização expressa para inclusão em associações.
- Campanhas de orientação para aposentados sobre como identificar e contestar cobranças suspeitas.