A decisão de recolher um lote específico do Chá de Camomila Lavi Tea, da marca Água da Serra, reacendeu o debate sobre a importância do controle sanitário em alimentos e cosméticos no Brasil, ilustrando como o sistema de vigilância atua diante de falhas nas boas práticas de fabricação e na regularização de produtos.
O que significa o recolhimento de um lote pela Anvisa?
O recolhimento de um lote ocorre quando são encontradas irregularidades em um produto já disponibilizado ao consumidor. No caso do chá de camomila, a própria empresa comunicou à Anvisa a decisão de retirar o lote do mercado, caracterizando um recolhimento voluntário.
Esse procedimento é adotado quando o fabricante identifica problemas que possam comprometer a qualidade ou a segurança do item. A retirada pode ocorrer antes mesmo de uma determinação obrigatória da autoridade sanitária, como forma de prevenção e proteção ao consumidor.

Quais irregularidades foram encontradas no chá de camomila Lavi Tea?
No episódio envolvendo o Chá de Camomila Lavi Tea, exames laboratoriais identificaram elementos estranhos à composição esperada. Foram detectados talos, ramos e sementes que não são usuais para o produto, além de quantidade elevada de fragmentos e larvas de insetos.
O número encontrado superou o limite máximo permitido pelas normas de controle de matérias estranhas em alimentos. Diante desse cenário, a Anvisa determinou a suspensão da comercialização daquele lote específico, para evitar riscos adicionais à saúde dos consumidores.
Como a Anvisa age quando há produtos irregulares no mercado?
Quando um produto apresenta irregularidades, a Anvisa pode aplicar diferentes tipos de medidas sanitárias, de acordo com a gravidade e o tipo de risco identificado. Essas ações visam impedir que itens potencialmente perigosos continuem circulando e afetando a saúde pública.
Entre as ações mais frequentes da Anvisa em relação a produtos irregulares, destacam-se:
Principais medidas sanitárias
AnvisaRecolhimento de lote
Retirada de um ou mais lotes específicos do mercado quando o problema é restrito a determinada produção.
Suspensão de comercialização e uso
Proibição de vender, distribuir e utilizar o produto, podendo alcançar todos os lotes.
Interdição de fabricação
Impedimento de que a empresa continue produzindo determinado item até adequar processos às normas sanitárias.
Cancelamento de registro
Perda da autorização para comercializar o produto quando o risco ou a irregularidade é grave ou persistente.
Por que produtos sem registro na Anvisa representam riscos?
Produtos sem registro ou notificação na Anvisa não passaram por análise oficial que comprove qualidade e segurança. Não há garantia sobre composição, concentração de ativos, presença de contaminantes ou condições de fabricação, o que aumenta a incerteza para o consumidor.
Esse cenário é ainda mais sensível em itens usados na pele, como pomadas pós-tatuagem, aplicadas em áreas sensibilizadas ou com barreira cutânea comprometida. Sem avaliação prévia, cresce o risco de efeitos indesejados e de falhas na cicatrização.
Quais riscos o uso de cosméticos e pomadas irregulares pode causar?
Entre os riscos associados ao uso de cosméticos e pomadas irregulares estão reações imediatas na pele e problemas posteriores, muitas vezes difíceis de relacionar ao produto. A ausência de rotulagem adequada e de dados sobre o fabricante torna o controle sanitário mais complexo.
Podem ocorrer reações alérgicas, infecções, piora do processo de cicatrização em tatuagens e falta de orientação clara sobre contraindicações e modo de uso. A exigência de registro na Anvisa, portanto, não é mera formalidade, mas mecanismo essencial de proteção à saúde coletiva.
Como as boas práticas de fabricação reforçam a responsabilidade das empresas?
Os casos recentes envolvendo o chá de camomila e a pomada cicatrizante reforçam a responsabilidade das empresas na adoção de boas práticas de fabricação e de sistemas internos de controle de qualidade. Quando o próprio fabricante identifica falhas e comunica voluntariamente à Anvisa, a proteção ao consumidor é ampliada.
As boas práticas incluem controle de matérias-primas, higienização de equipamentos e ambiente, treinamento de funcionários e registro das etapas de produção. A atuação conjunta de empresas e Anvisa, com normas claras e fiscalização constante, é fundamental para reduzir riscos e preservar a segurança dos produtos no mercado brasileiro.