O episódio recente envolvendo o recolhimento de panetones e produtos alimentícios com cogumelos mostra como a fiscalização sanitária atua para reduzir riscos à saúde da população. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a retirada de lotes específicos de panetones da empresa D’Viez e de diversos alimentos com cogumelos da marca Coguvita II Alimentos Ltda., após identificar problemas de contaminação e uso de ingredientes sem segurança avaliada.
Por que os panetones foram recolhidos pela Anvisa?
No caso da D’Viez Indústria e Comércio de Chocolates Finos Ltda., o recolhimento foi iniciado de forma voluntária pela própria empresa, após detectar o aparecimento de fungos. A Anvisa então oficializou a proibição de venda de quatro lotes de panetones, entre versões mini e tradicionais, com gotas de chocolate, frutas e recheios trufados, todos com a mesma data de validade, o que indica um possível problema localizado na produção ou no armazenamento.
O crescimento de fungos em alimentos industrializados chama a atenção para condições como umidade, temperatura inadequada ou falhas na embalagem, que podem comprometer a segurança do produto.
Embora nem todo fungo seja necessariamente perigoso, a presença visível em produtos prontos para consumo leva à determinação de descarte, seguindo o princípio da precaução adotado pela Anvisa para proteger a saúde do consumidor.

Por que os produtos com cogumelos foram proibidos e recolhidos?
Além dos panetones, a Anvisa também atuou sobre produtos alimentícios com cogumelos da empresa Coguvita II Alimentos Ltda. Foram atingidos itens como pastas de cacau e avelã com cogumelos, pasta de amendoim com cogumelos, barras de frutas e proteínas, granolas, mixes de castanhas e cápsulas de café, vinculados às marcas Smush, Smushnuts, Smushnola e Smushn Go.
Esses alimentos utilizavam cogumelos do tipo Lion’s Mane e Cordyceps, que ainda não tiveram sua segurança avaliada para uso em alimentos no Brasil, além de divulgarem supostos benefícios para saúde mental, memória, foco e imunidade sem comprovação científica robusta. Por isso, a Anvisa determinou o recolhimento e a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e divulgação de todos os lotes listados em resolução no Diário Oficial da União.
Como identificar e agir diante de alimentos proibidos ou recolhidos?
Quando um produto é alvo de recolhimento ou proibição, a Anvisa divulga o nome da empresa, os lotes envolvidos, o tipo de alimento e as orientações para o público. Em situações como a dos panetones e dos alimentos com cogumelos, alguns cuidados básicos ajudam a reduzir o risco de consumo indevido e a orientar o descarte adequado.
Essas ações envolvem a conferência de informações no rótulo, a busca por dados oficiais e a atenção a sinais de deterioração sensorial do alimento. Entre as principais recomendações, destacam-se:
Cuidados ao comprar e consumir
ChecklistVerifique o rótulo
Observe atentamente marca, número do lote e data de validade.
Consulte fontes oficiais
Confira comunicados no site da Anvisa ou em canais governamentais confiáveis.
Não consuma itens alterados
Evite produtos com mudança de cor, cheiro, sabor ou presença de fungos.
Guarde a nota fiscal
Facilita troca, devolução ou contato com o fabricante.
Em caso de dúvidas, o consumidor pode recorrer aos canais de atendimento da Anvisa ou às vigilâncias sanitárias locais. Essas estruturas recebem relatos, analisam denúncias e orientam quanto ao descarte de alimentos suspeitos, contando com a participação do público para identificar rapidamente problemas ainda não detectados oficialmente.
Quais lições o recolhimento de panetones e produtos com cogumelos traz para o consumidor?
Os episódios envolvendo panetones contaminados por fungos e alimentos com cogumelos sem segurança avaliada reforçam a importância da leitura de rótulos e do acompanhamento de alertas sanitários.
Eles mostram como a fiscalização da Anvisa atua tanto após a identificação de riscos diretos, como no caso da contaminação, quanto na prevenção, ao barrar ingredientes ou alegações de saúde que ainda não foram aprovados.
Essas ações também evidenciam que a segurança alimentar exige atenção contínua, especialmente em um mercado que combina alimentos tradicionais com ingredientes inovadores. Para o consumidor, algumas atitudes ajudam a transformar esses casos em aprendizado cotidiano:
- Conferir sempre se o alimento tem registro ou autorização quando exigido.
- Acompanhar notícias e comunicados de órgãos de vigilância sanitária.
- Descontinuar o uso de produtos mencionados em resoluções de proibição.
- Informar estabelecimentos comerciais caso encontre itens já proibidos à venda.