A forte tempestade de inverno que avançou nesta segunda-feira (26/1) pelos Estados Unidos e desde o fim de semana vem afetando a rotina de milhões de pessoas e pressionando a infraestrutura do país. Em poucos dias, o fenômeno deixou ao menos 30 mortos e mais de 500 mil moradores sem energia elétrica, em meio a frio extremo, neve pesada e formação de gelo em estradas, telhados e redes de distribuição, atingindo uma faixa extensa do território, do Sul ao Nordeste.
Como a tempestade de inverno está se formando e avançando pelos EUA?
O sistema de inverno, alimentado por ar ártico, espalhou neve e ventos fortes ao longo de cerca de 2,1 mil quilômetros, do Arkansas à região da Nova Inglaterra. Em áreas ao norte de Pittsburgh, a neve acumulada chegou a 50 centímetros, com sensação térmica próxima de -31 °C, em um cenário típico de surto de ar polar intenso.
Autoridades destacam que o frio intenso alcança cerca de dois terços dos Estados Unidos continentais, elevando o risco de acidentes, problemas de saúde e falhas em serviços essenciais. Meteorologistas indicam que mais de 30 centímetros de neve se acumularam na faixa central e nordeste, e uma nova massa de ar polar deve manter temperaturas muito baixas nos próximos dias.
Quais são as previsões e riscos adicionais para a Costa Leste?
Modelos meteorológicos apontam para a possibilidade de uma nova tempestade atingir a Costa Leste no próximo fim de semana, o que pode agravar a situação em grandes centros urbanos. Nessas regiões, a combinação de ruas escorregadias, telhados sobrecarregados e linhas elétricas fragilizadas aumenta o risco de apagões, acidentes e interrupções de serviços.
Meteorologistas ressaltam que a manutenção do frio intenso dificulta o derretimento da neve e favorece o surgimento de mais gelo. Isso amplia o risco de desabamento de estruturas, como galpões e marquises, além de tornar operações de resgate e limpeza mais lentas e perigosas.
Quais estados registraram mortes e quais impactos foram mais graves?
As 30 mortes registradas estão distribuídas por vários estados e se relacionam, em grande parte, às condições perigosas criadas pela tempestade. Em todo o país, relatos de atropelamentos, acidentes com trenós e pessoas encontradas ao ar livre evidenciam a gravidade do frio extremo.
Entre os principais casos relatados, autoridades informaram que as vítimas se concentraram em diferentes situações e localidades, evidenciando múltiplas formas de risco associadas ao evento:
- Duas pessoas atropeladas por veículos limpa-neve em Massachusetts e Ohio.
- Adolescentes mortos em acidentes com trenós no Arkansas e no Texas.
- Uma mulher encontrada sob a neve no Kansas, após sair de um bar.
- Oito pessoas encontradas mortas ao ar livre em Nova York, durante o fim de semana de frio intenso.
Também foram confirmados óbitos em outros estados: quatro no Tennessee, três na Louisiana e na Pensilvânia, duas no Mississippi e uma em cada um dos seguintes estados: Nova Jersey, Carolina do Sul e Kentucky. Em Nova York, as causas seguem em investigação, mas autoridades relacionam os casos às baixas temperaturas e à exposição prolongada.
Enquanto isso, o número de imóveis sem energia passou de 560 mil, sobretudo em estados do Sul, onde a infraestrutura é menos preparada para gelo e neve intensos. Chuvas congelantes derrubaram árvores, galhos e postes, causando danos em redes de energia, bloqueando estradas e atingindo casas e comércios.
Quais os impactos nos EUA?
No Sul, cidades lidam com um cenário de destruição e apagões extensos, com relatos de bairros inteiros no escuro por mais de 24 horas. Em Oxford, no Mississippi, autoridades compararam o rastro de árvores e fios caídos ao de um tornado, enquanto abrigos com geradores, camas e cobertores foram organizados para moradores sem calefação.
No transporte aéreo, o impacto foi imediato: mais de 12 mil voos foram cancelados ou sofreram atrasos em um único dia, e grandes hubs como Dallas-Fort Worth registraram paralisações prolongadas. Em Nova York, bairros acumularam entre 20 e 38 centímetros de neve, levando ao fechamento das escolas públicas e à migração temporária de cerca de 500 mil alunos para aulas online.