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Homem se nega a devolver Pix de R$ 100 mil e tem que pagar mais R$ 10 mil na Justiça

Por Guilherme Silva
27/jan/2026
Em Geral
Homem é condenado a devolver R$ 50 mil e pagar danos morais após recusar devolução de transferência

Justiça reforça dever de devolver valores recebidos indevidamente em transferências bancárias

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Uma decisão da Segunda Câmara de Direito Privado do TJMT confirmou que a recusa em devolver valor recebido em duplicidade gera dever de indenizar. O julgamento condenou o recebedor a restituir R$ 50 mil e pagar danos morais pela má-fé na retenção do dinheiro.

Como ocorreu o erro da transferência bancária em duplicidade?

O caso envolveu um contrato de empréstimo onde o pagador enviou, por falha operacional, duas parcelas idênticas de R$ 50 mil. Documentos e uma ata notarial comprovaram que o recebedor tinha plena ciência do crédito indevido em sua conta.

Mesmo notificado sobre o equívoco, o beneficiário se apropriou do montante sob a justificativa de compensar uma suposta dívida antiga. O tribunal rejeitou essa defesa por falta de previsão contratual expressa para tal compensação unilateral.

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Créditos: depositphotos.com / BrendaRochaBlossom
Utilizando PIX no smartphone – Créditos: depositphotos.com / BrendaRochaBlossom

Posso reter dinheiro recebido por engano para pagar dívida?

A Justiça destacou que a boa-fé objetiva deve reger todas as transações financeiras e contratuais. Manter valores alheios sem causa legítima viola esse princípio fundamental e as regras do Código Civil.

A relatora do processo afirmou que a retenção do recurso caracteriza enriquecimento sem causa. O réu foi obrigado a devolver o valor integral, pois a compensação de dívidas exige acordo prévio ou decisão judicial específica.

Quais foram as penalidades financeiras definidas pelo tribunal?

Além da devolução do valor principal, o Judiciário impôs sanções rigorosas para reparar o prejuízo financeiro e moral do autor. A sentença detalhou os critérios de atualização monetária e as compensações devidas.

A condenação estabeleceu parâmetros claros para a restituição dos valores retidos indevidamente pelo recebedor:

Objeto da Condenação Definição e Valor Base Legal / Termo
Restituição do Principal R$ 50.000,00 Refere-se ao valor pago em duplicidade apurado no processo.
Danos Morais R$ 10.000,00 Fixado para compensar o transtorno e abalo emocional da vítima.
Correção Monetária Índice IPCA Contada a partir de cada desembolso indevido efetuado.
Juros de Mora Taxa Selic Incidência a partir da citação válida da parte ré.

A regra de devolução também vale para transações via Pix?

Embora o caso trate de transferência bancária tradicional, o entendimento jurídico se estende integralmente ao sistema Pix. A obrigação de devolver valores recebidos por erro é a mesma em qualquer meio de pagamento eletrônico, como TED ou DOC.

O Banco Central disponibiliza o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para agilizar o bloqueio em casos de fraude ou falha. Essa ferramenta deve ser acionada imediatamente após a constatação do erro para evitar o saque dos recursos.

Créditos: depositphotos.com / seb_ra
Estátua da justiça – Créditos: depositphotos.com / seb_ra

Por que a recusa na devolução gerou danos morais?

A condenação extra de R$ 10 mil ocorreu porque o recebedor agiu com má-fé ao tentar justificar a retenção. O tribunal entendeu que a atitude causou prejuízo e transtorno desnecessário ao autor, ultrapassando o mero aborrecimento.

O simples erro não gera dano moral automático, mas a resistência injustificada em devolver o dinheiro sim. Esse comportamento obriga a vítima a buscar o Judiciário, gerando custos processuais e desgaste emocional.

Como agir para evitar prejuízos em casos de erro bancário?

O julgamento do processo nº 1022601-23.2021.8.11.0015 deixa claro que a justiça não tolera a apropriação indébita nas relações comerciais. A agilidade na contestação e a documentação dos fatos são essenciais para o sucesso da ação.

  • Registre o erro junto ao banco imediatamente e guarde os comprovantes
  • Documente todas as tentativas de contato amigável com o recebedor
  • Busque orientação jurídica se a devolução não ocorrer espontaneamente
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