O debate em torno do caso Banco Master no STF ganhou novo capítulo com a articulação interna para que o ministro Dias Toffoli envie o inquérito de volta à primeira instância, como forma de reduzir a exposição da Corte em um caso que mistura sistema financeiro, investigação criminal e menções a autoridades com foro privilegiado.
Como o STF avalia envio do caso Banco Master para a primeira instância?
Segundo informações do Metrópoles, ministros próximos a Dias Toffoli defendem que o caso Banco Master retorne à origem para diminuir a pressão política e midiática sobre o Supremo. A ideia é que, ausentes elementos robustos envolvendo autoridades com foro, a competência natural permaneça com o juízo de primeiro grau.
Esse movimento redistribuiria o foco da apuração, mantendo o STF apenas na análise de fatos estritamente ligados a agentes com foro. Internamente, a Corte busca evitar a percepção de centralização de investigações sensíveis, sobretudo em temas criminais ligados ao mercado financeiro.
Quais os impactos no inquérito do Banco Master?
O inquérito chegou ao Supremo após o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) aparecer em documento apreendido pela Polícia Federal. Até o momento, segundo relatos de bastidores, o parlamentar não é formalmente alvo, e o material ainda passa por triagem para avaliação de indícios relevantes.
Enquanto essa análise não se encerra, o inquérito permanece no STF, pois qualquer menção a parlamentar federal impõe o envio dos autos para exame preliminar de competência. A definição sobre manter ou devolver o caso dependerá do grau de envolvimento que, eventualmente, se atribua a Bacelar e a outras autoridades.
Qual a influência do foro privilegiado no futuro do processo?
O foro privilegiado é elemento central para determinar onde o caso deve tramitar. Regra geral, parlamentares federais são julgados pelo STF, governadores pelo STJ e demais investigados, sem prerrogativa de função, pela primeira instância.
Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citou conversas com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre possível venda do banco ao BRB. Essa menção cria impasse, pois Ibaneis tem foro no STJ, exigindo eventual desmembramento ou remessa de parte dos autos a outro tribunal.
Quais os caminhos possíveis para a tramitação do caso Banco Master?
A depender do conteúdo final das diligências, o inquérito pode seguir diferentes trajetórias entre STF, STJ e primeira instância. Cada alternativa impacta a duração da apuração, o grau de publicidade e o diálogo entre tribunais superiores e juízos de base.
Entre os cenários avaliados, destacam-se as seguintes possibilidades para organização da investigação:
- Manutenção do inquérito no STF, se surgirem indícios relevantes contra o deputado João Carlos Bacelar.
- Envio de parte dos autos ao STJ, caso haja material consistente envolvendo o governador do DF, Ibaneis Rocha.
- Devolução do núcleo principal para a primeira instância, com desmembramento específico para tratar de autoridades com foro.