Em meio à pré-campanha para a Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro realizou gestos de forte simbolismo religioso durante viagem a Israel. Em agenda no Oriente Médio, o parlamentar foi novamente batizado no Rio Jordão e fez orações no Muro das Lamentações, em Jerusalém, repetindo passos marcantes da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, com cenas registradas em vídeo e divulgadas nas redes sociais do pré-candidato.
Como Flávio Bolsonaro renovou o batismo no Rio Jordão?
O novo batismo de Flávio Bolsonaro no Rio Jordão, ao lado da esposa, chamou atenção pela repetição de um roteiro já conhecido entre apoiadores. Em 2016, Jair Bolsonaro, então deputado federal, esteve no local com os filhos Flávio e Eduardo, quando os três foram batizados pelo pastor Everaldo em ato que ganhou destaque na campanha de 2018.
Agora, em 2026, o senador descreveu a imersão nas águas frias do Jordão como forma de renovar uma aliança espiritual e reforçar sua identidade cristã conservadora. Em mensagem nas redes, afirmou que já era batizado, mas decidiu repetir o gesto pelo simbolismo do local associado ao batismo de Jesus, aproximando sua imagem de um eleitorado evangélico e de pautas de religiosidade na política.
Qual o impacto da oração no Muro das Lamentações?
Além do Jordão, o roteiro de Flávio Bolsonaro em Jerusalém incluiu o Muro das Lamentações, um dos pontos mais emblemáticos do judaísmo. Em frente às pedras históricas, o senador fez oração na qual citou Jesus Cristo e pediu que toda “investida demoníaca” contra sua pessoa fosse “exposta, desmantelada e destruída”, usando linguagem religiosa para tratar de conflitos políticos e judiciais.
Na mesma publicação, mencionou a “caminhada pela liberdade”, mobilização em Brasília liderada pelo deputado Nikolas Ferreira sob forte chuva, episódio em que a queda de um raio na região foi interpretada por apoiadores como sinal espiritual. O senador declarou que volta a “seguir os passos” do pai e disse esperar que, no futuro, suas filhas repitam exemplos dele e da esposa, reforçando a ideia de continuidade de um projeto político familiar. Veja imagens de Flávio no Muro das Lamentações:
Mais uma vez sigo os passos do meu pai, assim como espero que um dia minhas filhas sigam os meus e os da minha esposa. Para salvar o Brasil, não há caminho possível longe de Deus.
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 23, 2026
Que Deus abençoe todos aqueles que estão caminhando com muito sacrifício pela libertação do nosso… pic.twitter.com/twSAc0uLmi
Como está a agenda internacional de Flávio Bolsonaro?
A viagem ao Oriente Médio combina atos religiosos, presença diplomática e articulação política internacional, inserindo a pré-candidatura em um cenário externo. Em Jerusalém, a participação de Flávio na Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo o coloca ao lado de lideranças israelenses e representantes de outros países, em debates sobre segurança, intolerância religiosa e discurso de ódio.
Após a passagem por Israel, o roteiro inclui o Catar, onde o senador deve se encontrar com autoridades locais para discutir investimentos e relações bilaterais, buscando mostrar trânsito internacional típico de presidenciáveis. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo, ambos em autoexílio nos Estados Unidos, acompanham a comitiva, sinalizando unidade do bolsonarismo e tentativa de reorganização desse campo político em torno da candidatura de Flávio em 2026. Os atos de batismo no Rio Jordão e de oração no Muro das Lamentações são interpretados como parte de uma estratégia de comunicação voltada a segmentos religiosos, sobretudo o público evangélico e cristão conservador. Em campanhas recentes no Brasil, a associação de líderes políticos a locais sagrados se tornou recurso frequente para reforçar compromisso com valores religiosos, morais e narrativas de “salvar o Brasil” sob orientação divina.