A falsificação de medicamentos oncológicos tem mobilizado autoridades sanitárias, fabricantes e profissionais de saúde em todo o país, especialmente após a identificação de lotes irregulares usados no tratamento de câncer, o que acende alerta para riscos que vão além da ineficácia terapêutica e reforça a importância de sistemas robustos de vigilância, rastreabilidade e orientação aos pacientes.
Como foram os casos recentes envolvendo Keytruda e Avastin?
A Anvisa determinou, em 21/10, a apreensão de dois lotes falsificados do medicamento para câncer Keytruda – 100 mg/4 ml Sol. Dil. Infus. CT FA VD Trans x 4 ml. Os lotes SO48607 e Y019148, não reconhecidos como originais pelo fabricante, foram comercializados pela empresa LAF MED Distribuidora de Medicamentos e Materiais Hospitalares Ltda., que teve sua licença cassada após uma operação conjunta realizada no Ceará para combater a falsificação de medicamentos.
Além da apreensão, a medida da Anvisa determinou a proibição de armazenar, comercializar, distribuir, exportar, importar, divulgar, transportar e usar esses produtos, impedindo que continuem circulando na rede de assistência. (Clique aqui para saber mais sobre a operação.)
Outro caso relevante foi a apreensão do lote H0386H05 do medicamento Avastin, indicado para o tratamento de câncer colorretal metastático, câncer de pulmão, câncer de mama, entre outros. A medida atinge apenas esse lote específico e proíbe a sua comercialização, distribuição e uso. A ação fiscal foi motivada por uma comunicação da Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A., detentora do registro do Avastin, que identificou no mercado itens do lote falsificado com características divergentes do produto original.
Quais são os principais riscos e impactos de um medicamento falsificado?
Os riscos associados a um medicamento falsificado em oncologia são elevados, pois não há garantia sobre composição, origem ou qualidade. O conteúdo pode variar de substâncias inertes até componentes tóxicos, sem o efeito esperado contra o tumor e com possibilidade de reações adversas graves ou interações indesejadas com outros remédios.
Em tratamentos oncológicos, em que dose, via de administração e intervalo entre aplicações são critérios essenciais, qualquer alteração não controlada representa risco direto ao paciente, podendo levar à progressão da doença, perda de resposta terapêutica e necessidade de mudança de protocolo, além de abalar a confiança nos serviços de saúde.
- Ausência de eficácia: a doença pode avançar sem controle adequado.
- Reações inesperadas: substâncias desconhecidas podem causar efeitos tóxicos.
- Interferência no tratamento: esquemas terapêuticos planejados podem ser prejudicados.
- Impacto regulatório e econômico: aumenta a necessidade de recolhimentos, fiscalizações e pode elevar custos assistenciais.
Como identificar e o que fazer diante da suspeita de falsificação?
Diante da possibilidade de um medicamento oncológico falsificado, alguns cuidados básicos ajudam a reduzir riscos em hospitais, clínicas e farmácias. É recomendada a checagem rotineira de lote, validade, número de registro na Anvisa, integridade das embalagens e comparação com dados e imagens oficiais fornecidos pelo fabricante.
Quando surge dúvida sobre a autenticidade de um frasco ou lote, a orientação é interromper o uso, isolar o produto e buscar confirmação com o fabricante ou com a Anvisa. Em casos de irregularidade, o registro formal da suspeita permite que a vigilância sanitária adote ações fiscais, medidas de recolhimento e, se necessário, alerte outros serviços de saúde e pacientes.
Confira em seguida dicas de o que fazer em casos de suspeita de falsificação:
Como verificar a autenticidade de um medicamento
Passos práticos para identificar irregularidades e agir corretamente antes do uso.
Dados obrigatórios
Conferência visual
Canal oficial
Alertas sanitários
Denúncia
Qual é o papel da Anvisa e da cadeia de distribuição na proteção dos pacientes?
A atuação da Anvisa em casos de medicamento falsificado para câncer envolve operações com órgãos de segurança, publicação de resoluções para apreensão e suspensão de lotes e, quando necessário, sanções a distribuidoras irregulares. A agência também monitora notificações de fabricantes e serviços de saúde para identificar padrões de falsificação e aperfeiçoar o rastreamento.
Fabricantes, distribuidores e serviços de saúde formam uma cadeia que precisa operar de forma integrada, com compras apenas de fornecedores regulares, exigência de documentação atualizada e registro de qualquer inconsistência observada. A divulgação de alertas oficiais sobre medicamentos falsificados permite que profissionais e pacientes acompanhem lotes sob restrição, contribuindo para a segurança terapêutica em tratamentos de câncer.