A compra da Brex pela Capital One por US$ 5,51 bilhões recolocou as startups brasileiras sob os holofotes globais. Fundada em 2017 por dois jovens brasileiros, a empresa virou referência em soluções de pagamentos e gestão de despesas para companhias em diversos países, marcando um dos maiores valores já pagos por uma companhia de tecnologia criada por empreendedores do Brasil.
O que é a Brex e por que ela chamou a atenção do mercado?
Com sede em São Francisco, a Brex cresceu oferecendo cartões corporativos e, depois, uma plataforma completa para controlar gastos, reembolsos e pagamentos B2B. A empresa atende clientes em mais de 50 países e se posiciona como peça-chave na digitalização das finanças corporativas.
Seu foco em tecnologia própria, clientes empresariais e presença global a colocou em um ponto estratégico da “economia de software”. Nesse contexto, companhias buscam reduzir custos operacionais, automatizar rotinas e ganhar visibilidade em tempo real sobre o uso do dinheiro dentro da organização.
Por que a Capital One decidiu pagar US$ 5,51 bilhões pela Brex?
A Capital One, gigante financeira dos Estados Unidos, vê na Brex uma forma de acelerar sua atuação em soluções para empresas, unindo escala bancária tradicional com tecnologia de fintech e uma forte base de clientes digitais.
Segundo a Capital One, o acordo foi estruturado de forma a alinhar caixa imediato e visão de longo prazo para os acionistas da Brex, ao mesmo tempo em que preserva a plataforma como peça estratégica focada em clientes corporativos e com integração tecnológica gradual entre as duas empresas.
Quem são os brasileiros responsáveis pela criação da startup?
Os fundadores da Brex são os brasileiros Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, conhecidos no ecossistema de tecnologia desde muito jovens. Em 2013, eles criaram a Pagar.me, fintech de pagamentos online para pequenos negócios, vendida em 2016 para a Stone, o que viabilizou a mudança para Stanford, nos Estados Unidos.
Em 2017, a dupla lançou a Brex focada em cartões corporativos para startups do Vale do Silício e, depois, em uma plataforma completa de gestão financeira. Em 2024, houve reorganização: Franceschi assumiu como CEO, enquanto Dubugras passou a presidir o conselho, acompanhando a estratégia de longo prazo da companhia. Veja imagem dos fundadores publicada pela empresa:
Como a venda da startup impacto o mercado?
Para o ecossistema de startups, o negócio entre Brex e Capital One funciona como exemplo de trajetória global possível para fintechs fundadas por brasileiros. A venda bilionária reforça a força de modelos baseados em software de gestão de despesas, automação de pagamentos e análise de dados em escala.
Especialistas apontam que a combinação de expertise em software da Brex com a infraestrutura bancária da Capital One deve gerar novos produtos corporativos. Entre os principais desdobramentos esperados, destacam-se impactos em competição, crédito e expansão internacional:
- Maior competição em soluções de pagamentos corporativos nos EUA;
- Integração entre análise de crédito avançada da Capital One e dados operacionais da Brex;
- Expansão de produtos voltados a empresas de médio e grande porte;
- Fortalecimento da presença da Brex em mercados internacionais.