Nas redes sociais, o governador Tarcísio de Freitas transformou em anúncio oficial o que vinha sendo tratado apenas nos bastidores políticos: a decisão de disputar a reeleição ao governo de São Paulo em 2026, reforçando sua intenção de seguir como protagonista da ala de direita no cenário estadual e nacional, em meio a disputas internas, expectativas sobre seu alinhamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro e boatos de eventual candidatura à Presidência da República.
Como Tarcísio reafirma candidatura à reeleição em São Paulo?
Na postagem desta quinta-feira (22/1) que repercutiu entre apoiadores e adversários, Tarcísio foi direto ao declarar: “Sou candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo”. Ele defendeu uma “direita unida e forte”, com o objetivo de retirar a esquerda do poder em âmbito nacional e de afastar rumores sobre outras disputas.
Ao classificar informações divergentes como “especulação”, o governador buscou reposicionar o debate em torno de seu nome e marcar terreno no tabuleiro de 2026. A reafirmação da candidatura à reeleição também sinaliza a aliados e partidos que ele pretende comandar a cabeça de chapa no principal colégio eleitoral do país, preservando margem de autonomia em relação às movimentações da família Bolsonaro. Veja a publicação de Tarcísio:
Sou pré-candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e…
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) January 22, 2026
Quais os impactos da visita de Tarcísio a Bolsonaro?
Além de reafirmar a reeleição, Tarcísio anunciou que irá visitar Jair Bolsonaro na prisão, em Brasília, na quinta-feira, 29 de janeiro, em encontro autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. O gesto reforça a conexão com o padrinho político, responde a cobranças de apoiadores e consolida a narrativa de gratidão e lealdade ao ex-presidente.
A visita ocorre após desgaste causado pelo cancelamento de uma ida anterior no último dia 20/1 e recoloca Tarcísio no centro da cena bolsonarista. O movimento é observado porque ele já havia defendido a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar, articulando discretamente com ministros do STF e tentando manter influência no núcleo bolsonarista sem romper pontes institucionais com o Judiciário.
Qual é o impacto da agenda na eleição de 2026?
A reafirmação da candidatura de Tarcísio à reeleição em São Paulo, combinada à agenda em torno de Bolsonaro, reorganiza expectativas dentro da direita. Ao focar na disputa estadual, o governador reduz a pressão para ser alternativa direta ao Planalto, abrindo espaço para outras figuras conservadoras, como Flávio Bolsonaro, testarem suas pré-candidaturas nacionais.
No plano local, a decisão influencia negociações partidárias, montagem de chapas proporcionais e alianças em grandes cidades paulistas. Siglas alinhadas ao bolsonarismo e partidos de centro-direita observam seus movimentos para calibrar apoios, buscar contrapartidas na máquina estadual e estruturar acordos eleitorais cruzados em outros estados.
Quem foi autorizado a visitar Bolsonaro preso?
A autorização concedida por Alexandre de Moraes não se limitou a Tarcísio, compondo uma agenda de visitas com forte peso político. Essas liberações ocorrem em paralelo a decisões negativas ao ex-presidente, como a rejeição do pedido de prisão domiciliar pelo ministro Gilmar Mendes, e ajudam a dimensionar o grau de acesso de aliados ao núcleo bolsonarista:
- Bruno Scheid (PL), pecuarista e pré-candidato ao Senado por Rondônia, com visita agendada para 28 de janeiro.
- Diego Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e ex-assessor do governo paulista, também autorizado a visitá-lo.
- As visitas ocorrem na Papudinha, para onde Bolsonaro foi transferido em 15 de janeiro, após período na Superintendência da Polícia Federal.
- A lembrança de que Bolsonaro e Tarcísio não se encontravam desde setembro do ano anterior reforça a dimensão simbólica do reencontro.