O anúncio de que Donald Trump revogou o convite do Canadá para integrar o chamado Conselho da Paz abriu um novo capítulo na relação diplomática entre Washington e Ottawa. A decisão, comunicada em carta ao primeiro-ministro canadense, Mark Carney, ocorre poucos dias após o lançamento oficial do conselho, voltado à mediação de conflitos com foco inicial na Faixa de Gaza, e levanta dúvidas sobre critérios de participação, equilíbrio de poder e impactos para a governança global.
Como funciona o Conselho da Paz idealizado por Donald Trump?
O Conselho da Paz foi anunciado por Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, como um organismo internacional destinado a mediar conflitos. Segundo a Casa Branca, o foco inicial seria a situação na Faixa de Gaza, com possibilidade de expansão para outras crises globais e temas de reconstrução pós-conflito.
A proposta é apresentar o conselho como um espaço de articulação entre chefes de Estado e líderes com influência política e econômica. Em declarações públicas, ele é comparado a uma espécie de “polícia mundial”, com capacidade de dissuasão de conflitos e pressão diplomática, o que desperta questionamentos sobre legitimidade e possível sobreposição à ONU.
Por que o convite ao Canadá foi revogado?
A revogação do convite ao Canadá tornou-se um dos aspectos mais comentados da iniciativa, pois a carta enviada a Mark Carney exclui o país “em qualquer momento” de adesão futura. O texto não apresenta justificativas formais nem menciona mudanças na política externa canadense, abrindo espaço para interpretações políticas e estratégicas.
Em um cenário em que gestos diplomáticos são cuidadosamente observados, essa ausência de explicação sugere que Trump pretende exercer controle rígido sobre a composição do grupo. Analistas destacam que o episódio sinaliza uma seleção altamente política dos participantes e pode ser usado como forma de pressão sobre aliados em temas sensíveis, como Gaza e Ucrânia.
Quem compõe o Conselho da Paz e como ele se articula?
A liderança do Conselho da Paz será exercida por Donald Trump, concentrando poder sobre quem entra e sobre as prioridades de atuação. No comitê executivo aparecem figuras centrais de seu entorno político, como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e Jared Kushner, indicando alinhamento forte à Casa Branca e a interesses ocidentais.
Convites foram enviados a vários chefes de Estado, incluindo o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo ainda avalia a adesão. Para capitais estrangeiras, a retirada do Canadá funciona como alerta sobre a estabilidade da participação, sugerindo que eventuais divergências com Washington podem resultar em afastamento súbito do conselho.
Quais fatores os países consideram antes de aderir ao Conselho da Paz?
Diante das incertezas sobre formato, regras internas e mecanismos de responsabilização, governos convidados têm adotado postura cautelosa. A participação é avaliada não apenas em termos de influência diplomática, mas também de possíveis atritos com instituições multilaterais e com parceiros estratégicos.
Entre os principais pontos levados em conta por países como o Brasil e aliados europeus estão:
- Relação com a ONU: risco de o conselho ser visto como concorrente informal ao Conselho de Segurança e a fóruns já consolidados.
- Imagem internacional: impacto de se associar a um órgão descrito como “polícia mundial”, liderado por um único país.
- Agenda de política externa: compatibilidade entre prioridades nacionais e diretrizes definidas por Trump e seu círculo próximo.
- Previsibilidade institucional: medo de exclusões repentinas, como no caso canadense, por razões políticas pouco transparentes.