A atuação da Anvisa em casos de suplementos alimentares irregulares tem chamado atenção de consumidores e do setor produtivo. As recentes medidas envolvendo a marca Ervas Brasil e o suplemento em cápsulas Glicopill ilustram como a vigilância sanitária reage quando identifica riscos potenciais à saúde pública, sobretudo em produtos com origem duvidosa, sem licença sanitária ou com promessas terapêuticas não comprovadas.
O que são suplementos alimentares irregulares?
Suplementos alimentares irregulares são produtos que descumprem normas sanitárias estabelecidas para essa categoria. Eles podem não possuir licença sanitária para fabricação, utilizar matérias-primas não autorizadas ou serem produzidos em empresas sem alvará de funcionamento válido.
No Brasil, a regulamentação dos suplementos estabelece critérios para ingredientes permitidos, concentrações máximas, rotulagem e alegações de saúde. Quando uma empresa ignora esses requisitos, o produto passa à clandestinidade e exige atuação da Anvisa e das vigilâncias sanitárias locais.
Por que a Anvisa determinou apreensões de suplementos alimentares irregulares?
As decisões envolvendo produtos da marca Ervas Brasil e o suplemento Glicopill mostram como a Anvisa age diante de irregularidades. No caso da Ervas Brasil Indústria Ltda., a empresa não possuía Licença Sanitária nem Alvará de Funcionamento, requisitos básicos para produzir qualquer alimento ou suplemento no país.
Nesse contexto, todos os produtos da marca foram alvo de apreensão e tiveram fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e consumo proibidos. A agência ainda apontou uso de ingredientes não autorizados e divulgação de supostos benefícios terapêuticos sem comprovação científica, configurando reincidência regulatória.
Como a Anvisa age diante de reincidência e origem desconhecida dos produtos?
Antes da medida mais ampla, a Anvisa já havia determinado, em janeiro de 2026, a apreensão de itens como “Vitamina C Sucupira com Unha de Gato” e “Suplemento Alimentar Colesterol”, também da Ervas Brasil. Esses episódios reforçam que a atuação tende a se intensificar quando há repetição de falhas sanitárias.
Em paralelo, o suplemento alimentar em cápsulas Glicopill passou a ser alvo de ação fiscal por ter origem desconhecida e venda em site oficial e grandes plataformas online. Diante da impossibilidade de rastrear fabricação e condições higiênicas, a Anvisa determinou apreensão e proibiu fabricação, importação, distribuição, divulgação e consumo em todo o território nacional.
Como ocorre a fiscalização e o combate aos suplementos alimentares irregulares?
A fiscalização de suplementos alimentares irregulares envolve monitoramento de mercado, denúncias e ações coordenadas com outros órgãos públicos. A Anvisa publica suas decisões no Diário Oficial da União, detalhando escopo das proibições, produtos atingidos e fundamentos técnicos de cada medida.
Para tornar o controle mais efetivo, diferentes estratégias são usadas de forma contínua e integrada entre esferas federal, estadual e municipal:
- Monitoramento de sites e redes sociais em busca de promessas terapêuticas sem comprovação.
- Verificação de cadastros de empresas e licenças sanitárias emitidas por estados e municípios.
- Análise de rótulos, ingredientes e alegações presentes nos suplementos.
- Ações conjuntas com Procons, Ministério Público e plataformas de e-commerce.
Quais são os principais riscos dos suplementos com alegação terapêutica?
Em muitos casos, a irregularidade aparece em suplementos que prometem cura, tratamento ou prevenção de doenças, algo vedado para essa categoria de produto. Quando a origem é desconhecida, como no caso do Glicopill, o risco se amplia, pois não há informações confiáveis sobre local de fabricação, boas práticas ou controle de qualidade.
Além de ineficazes, esses suplementos podem conter doses inadequadas ou contaminantes, interagir com medicamentos e atrasar o início de tratamentos realmente necessários. Por isso, a orientação é desconfiar de promessas absolutas, efeitos milagrosos e garantias de resultado rápido veiculadas em anúncios.
Quais cuidados o consumidor deve ter diante de suplementos alimentares irregulares?
O debate sobre suplementos alimentares irregulares reforça a necessidade de atenção redobrada ao adquirir cápsulas, comprimidos, pós ou líquidos vendidos como auxiliares para saúde, bem-estar ou desempenho físico. Produtos divulgados principalmente pela internet, com linguagem promocional agressiva, exigem verificação cuidadosa de autorizações e histórico da empresa.
Confira em seguida os cuidados que os consumidores devem ter:
Checklist: como identificar suplemento confiável
Use este quadro para checar origem, rotulagem e sinais de irregularidade antes de comprar.
| O que verificar | Como checar (rápido) | Sinal de risco |
|---|---|---|
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Licença e cadastro do fabricante
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Checar se o fabricante possui licença sanitária e cadastro ativo em órgãos oficiais.
📄 CNPJ/empresa
🏢 Endereço
☎️ Contato
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Dados incompletos |
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Rótulo: composição e origem
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Consultar o rótulo e verificar se há informações claras sobre composição e origem.
🧪 Ingredientes
🌍 Origem
📆 Lote/validade
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Rótulo “genérico” |
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Promessas terapêuticas
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Observar se o suplemento promete efeitos terapêuticos típicos de medicamentos.
🩺 “cura/trata”
⚡ efeito imediato
🎯 promessa forte
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Promessa de “tratamento” |
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Alertas e resoluções
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Pesquisar no site da Anvisa por alertas ou resoluções relacionadas ao produto ou marca.
🔎 Busca por marca
⚠️ Alertas
📌 Resoluções
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Produto citado em alerta |
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Origem e rastreabilidade
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Evitar adquirir itens com origem desconhecida ou sem dados de contato do fabricante.
📦 Procedência
🧾 Nota/garantia
🛰️ Rastreio
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“Sem procedência” |
Em 2026, o mercado de suplementos segue em expansão, especialmente em plataformas digitais, o que amplia o acesso, mas também a circulação de produtos alimentícios irregulares. As ações da Anvisa em casos como os da Ervas Brasil e do Glicopill demonstram que a fiscalização permanece ativa, com foco na proteção da saúde coletiva e na rápida retirada de itens que não atendem às normas vigentes.