O debate em torno da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB ganhou novo capítulo após declarações do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e informações prestadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal, em meio à Operação Compliance Zero e ao risco potencial para o Banco de Brasília.
Quem conduziu a negociação de compra do Banco Master pelo BRB?
Ibaneis Rocha afirmou que teve poucos encontros com Daniel Vorcaro e que nunca discutiu a venda do Banco Master ao BRB com o empresário. Segundo o governador, toda a negociação teria sido conduzida de forma técnica pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afastado do cargo após a operação da Polícia Federal.
O relato de Vorcaro à PF, porém, contrasta com essa versão e mantém o assunto em evidência na esfera política e financeira. Segundo O Estado de S.Paulo, o dono do Banco Master afirmou ter conversado “algumas vezes” com o governador sobre a venda, sem detalhar teor e frequência, o que alimenta dúvidas sobre o real grau de envolvimento político no processo.
Como foi estruturada a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB?
A operação começou a ganhar forma em março do ano passado, quando o BRB anunciou a intenção de adquirir 58% do capital total do Master. O plano previa a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais, garantindo poder de voto no conselho e influência direta na gestão da instituição.
Em setembro, o Banco Central barrou a operação, citando critérios prudenciais e de risco típicos desse tipo de análise, e em novembro decretou a liquidação do Banco Master. Nesse intervalo, Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro se tornaram alvos da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes em compras de carteiras de crédito e títulos entre as duas instituições.
Quais os impactos da Operação Compliance Zero para o BRB?
Segundo as investigações, o volume potencial de fraude chega a cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo BRB junto ao Banco Master. Para medir o tamanho do problema, o Banco de Brasília contratou auditoria externa, com foco na qualidade dos ativos, na mensuração de eventuais prejuízos e no reforço de governança e transparência.
A exposição do BRB levanta dúvidas sobre risco financeiro e eventual necessidade de socorro do acionista controlador, o governo do DF. O banco afirma ter suficiência patrimonial e operar normalmente, mas admite avaliar reforço de capital, inclusive por meio de um fundo lastreado em imóveis públicos estimados em cerca de R$ 200 bilhões, solução que depende de análise jurídica e de controle.
Quais os próximos passos no caso?
Embora negociação frustrada, liquidação do Master e deflagração da Operação Compliance Zero já sejam conhecidas, o caso continua em andamento. A apuração da PF, a auditoria externa do BRB e eventuais decisões do Banco Central podem redefinir o impacto financeiro para o Banco de Brasília e para o governo do Distrito Federal.
Os próximos passos também envolvem potenciais ações judiciais, apuração de responsabilidades de gestores, avaliação de falhas de controle de risco e discussão sobre o uso de patrimônio público para reforçar capital do banco. Nesse contexto, a divergência entre a versão de Ibaneis, que atribui a condução a Paulo Henrique Costa, e o relato de Vorcaro sobre conversas com o governador permanece como ponto sensível e politicamente delicado.