A fruticultura tem ganhado espaço na pauta de exportações da América Latina, e a produção de pera na Argentina aparece como um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento. Em poucos anos, o país consolidou um volume expressivo de embarques, com forte presença em mercados de diferentes continentes, tornando a pera argentina um dos principais itens da fruticultura de clima temperado, com impacto direto na economia local e na projeção internacional do agronegócio argentino.
Onde a pera argentina é produzida e como é cultivada?
A produção da pera argentina se concentra principalmente no Alto Valle de Río Negro e Neuquén, região tradicional de fruticultura irrigada no sul do país. O clima de invernos frios e verões moderados, aliado a solos bem drenados, favorece o desenvolvimento dos pomares e o controle do fornecimento de água e nutrientes.
Os produtores adotam irrigação pressurizada, monitoramento de umidade e fertilização calibrada para garantir regularidade da safra e qualidade da fruta. A colheita é planejada por blocos de maturação, conforme o destino da fruta, e seguida por centrais de embalagem com rigorosa seleção por tamanho, cor e firmeza, frequentemente apoiadas em linhas automatizadas e sistemas de rastreabilidade.
Por que a pera argentina se destaca no comércio mundial?
No cenário global, a pera argentina para exportação ocupa posição de destaque, atrás de grandes produtores como China, Estados Unidos e Turquia, mas à frente de outros países latino-americanos. Compradores internacionais valorizam sabor, textura e aparência uniforme, o que facilita sua inserção em redes varejistas e mercados atacadistas de grande escala.
Considerando os principais exportadores mundiais de pera fresca, o ranking global mais recorrente em estatísticas internacionais recentes é o seguinte:
Ranking: principais países produtores/exportadores
Comparativo rápido do papel de cada país no comércio internacional e os mercados atendidos.
China
Maior produtora e uma das maiores exportadoras, com ampla diversidade de variedades.
Holanda (Países Baixos)
Atua como grande hub logístico europeu, combinando produção própria com reexportação.
Argentina
Principal exportadora do Hemisfério Sul, com especialização em pera de clima temperado.
África do Sul
Fornecedora relevante para a Europa e o Oriente Médio, com vantagem de contra-safra.
Alguns fatores-chave ajudam a explicar essa competitividade crescente da pera argentina no mercado mundial de frutas frescas:
- Regularidade de oferta: planejamento de safra e uso de câmaras frigoríficas permitem abastecer o mercado por vários meses após a colheita.
- Padronização: calibração por tamanho e classificação por categorias comerciais, reduzindo variações entre caixas e lotes.
- Logística consolidada: integração entre transporte rodoviário, centros de embalagem e portos especializados em cargas refrigeradas.
- Adaptação a diferentes destinos: seleção de variedades e tratamentos pós-colheita adequados a mercados da América, Europa e Ásia.
Comparação entre a produção de pera na Argentina e no Brasil
Ao comparar a pera argentina com a produção de pera no Brasil, nota-se uma diferença clara de escala e de inserção internacional. Enquanto a Argentina é referência global em pera de clima temperado e figura entre os maiores exportadores mundiais, o Brasil ainda é predominantemente importador dessa fruta, especialmente de parceiros do Cone Sul.
Na Argentina, a produção está altamente concentrada em regiões de clima frio bem definido, como o Alto Valle de Río Negro e Neuquén, com tradição em fruticultura de exportação, sistemas de irrigação consolidados e forte integração entre produtores, centrais de embalagem e portos. Já no Brasil, a produção se distribui em polos menores, sobretudo em áreas de clima mais ameno do Sul e Sudeste, com ênfase maior no abastecimento do mercado interno e menor padronização voltada especificamente à exportação.
Como a pera argentina movimenta a economia e gera empregos?
O fortalecimento da cadeia produtiva da pera argentina tem efeito direto na geração de emprego e renda nas regiões produtoras do sul do país. Cada tonelada exportada envolve diversas etapas, da produção no campo à exportação, mobilizando agricultores, técnicos, trabalhadores sazonais, transportadores e profissionais de comércio exterior.
Esse percurso estimula o setor de serviços, o transporte, a indústria de embalagens e a logística portuária, além de incentivar investimentos em galpões, câmaras frias e linhas de classificação. A seguir, é possível visualizar de forma simplificada as etapas que conectam o pomar aos mercados internacionais:
- Produção no pomar: preparação do solo, poda, controle de pragas, irrigação e acompanhamento da frutificação.
- Colheita: equipes treinadas para colher a fruta no ponto adequado, reduzindo danos mecânicos.
- Embalagem: seleção, lavagem, classificação e montagem de caixas ou bins para transporte.
- Logística interna: transporte refrigerado até centros de distribuição ou terminais portuários.
- Exportação: consolidação de cargas em contêineres, documentação e envio a portos de destino.
Por que a pera argentina é um símbolo de competitividade regional?
Dentro da América Latina, a pera da Argentina funciona como indicador da capacidade de competir em mercados altamente disputados. O desempenho recente, com recordes de exportação, mostra que o país alinhou produção, tecnologia e canais de comercialização, consolidando a imagem da Argentina como fornecedora confiável de fruta fresca rastreável e em conformidade com normas fitossanitárias.
O avanço da pera abre caminho para que outras culturas frutícolas adotem estratégias semelhantes em manejo, certificações e logística de exportação. Com essa base técnica e comercial, o país tende a reforçar sua posição entre os grandes exportadores de frutas de clima temperado até 2025, mantendo a pera como uma das referências centrais de sua fruticultura voltada ao mercado mundial.
Confira em seguida um vídeo explicando como a economia da argentina vem se recuperando desde 2025: