A decisão da Anvisa de proibir e determinar a apreensão de determinados produtos à base de tirzepatida e retatrutida reacende o debate sobre o uso de medicamentos irregulares para emagrecimento no Brasil, especialmente quando divulgados em redes sociais e comercializados sem registro sanitário, o que levanta preocupações sobre segurança, origem, controle de qualidade e necessidade de atenção redobrada por parte de profissionais de saúde e pacientes.
O que motivou a proibição de produtos à base de tirzepatida e retatrutida?
A medida da Anvisa atinge, entre outros, produtos divulgados em redes sociais e comercializados sem registro sanitário. Em um cenário de grande procura por substâncias para perda de peso, o órgão regulador busca conter a circulação de itens de origem desconhecida e reduzir riscos associados ao uso de substâncias sem avaliação adequada.
De acordo com as informações divulgadas, as marcas citadas estavam sendo oferecidas principalmente por meio de perfis no Instagram, sem qualquer autorização da Anvisa. Essas ofertas costumam envolver promessas de resultados rápidos, sem dados técnicos, estudos clínicos ou bula aprovada, o que compromete a segurança dos usuários.
O que é a tirzepatida e por que alguns produtos foram proibidos?
A tirzepatida é um medicamento desenvolvido para tratamento de diabetes tipo 2, com efeito adicional na redução de peso. Em alguns países, também vem sendo estudada e utilizada para controle da obesidade, sempre com prescrição e formulações autorizadas por autoridades regulatórias.
No Brasil, a decisão da Anvisa não se opõe ao princípio ativo em si, mas às versões irregulares, sem registro, notificações ou cadastro oficiais. No episódio citado, produtos das marcas Synedica e TG foram apreendidos por terem origem não identificada, sem comprovação de qualidade, eficácia ou segurança, e por estarem ligados a empresas desconhecidas, o que impede qualquer rastreabilidade.
Como a Anvisa trata produtos irregulares com tirzepatida e retatrutida?
Em situações como a das marcas Synedica e TG, a Anvisa classifica os itens como produtos irregulares. Nessa condição, eles não podem ser fabricados, distribuídos, importados, divulgados nem utilizados em território nacional, independentemente da forma de apresentação.
O mesmo entendimento é aplicado à retatrutida, substância em desenvolvimento internacional para tratamento da obesidade e doenças metabólicas. A Agência proibiu todos os produtos com retatrutida, de quaisquer marcas e lotes, por estarem sendo ofertados sem autorização sanitária, sem estudos apresentados e sem comprovação do conteúdo real das embalagens.
Quais são os riscos do uso de tirzepatida fora do ambiente regulado?
Quando a tirzepatida é usada em ambiente regulado, com prescrição e produto aprovado, há padrões rigorosos de qualidade e acompanhamento clínico. Fora desse contexto, “canetas emagrecedoras” não registradas podem conter doses inadequadas, substâncias diferentes das declaradas ou contaminantes, gerando risco significativo ao usuário.
Entre os problemas potenciais associados ao uso de tirzepatida irregular estão fatores que comprometem tanto a eficácia quanto a segurança, muitas vezes sem que o paciente tenha qualquer orientação profissional adequada para identificar sinais de alerta ou efeitos adversos.
Principais riscos de produtos/medicamentos irregulares
Dose desconhecida
Risco de subdosagem (falta de efeito) ou superdosagem (reações adversas graves).
🚨 Impacto: altoComposição incerta
Possibilidade de conter outras substâncias, inclusive proibidas ou não testadas.
🔎 Risco: imprevisívelAusência de acompanhamento
Falta de avaliação médica, monitoramento de efeitos colaterais e checagem de interações.
📌 Falha: controle e segurançaArmazenamento inadequado
Problemas de estabilidade, sobretudo em medicamentos injetáveis que exigem refrigeração.
🧊 Atenção: cadeia friaComo verificar se um medicamento para emagrecer é regularizado?
Para reduzir riscos, é fundamental checar a situação regulatória de produtos como tirzepatida, retatrutida e outras substâncias para emagrecimento. Essa verificação pode ser feita por meio de informações simples, disponíveis ao público, antes da compra ou do uso.
Alguns pontos básicos incluem conferir o número de registro na Anvisa no rótulo, checar o CNPJ e o nome do fabricante, analisar o canal de venda e observar se há exigência de prescrição. Perfis de redes sociais que vendem medicamentos injetáveis sem receita costumam atuar à margem das normas sanitárias e devem ser vistos com desconfiança.
O que fazer ao encontrar tirzepatida ou retatrutida irregulares?
Ao identificar medicamentos suspeitos, especialmente citados em resoluções de apreensão, a orientação é interromper o uso e buscar avaliação médica. A Anvisa e as Vigilâncias Sanitárias locais mantêm canais para denúncias e esclarecimento de dúvidas sobre a presença desses produtos em farmácias, clínicas, consultórios ou comércios informais.
Quando possível, é importante registrar nome do produto, lote, marca, local de compra, anúncios e dados de contato do vendedor, contribuindo para a atuação das autoridades. Em paralelo, o acompanhamento médico auxilia na avaliação de possíveis efeitos relacionados ao uso prévio dessas substâncias, incluindo exames quando indicados, reforçando o papel da regulação sanitária em um cenário de grande interesse por tratamentos farmacológicos para perda de peso.