O surto registrado entre funcionários da Hyundai Mobis, em Piracicaba (SP), segue em investigação e levanta dúvidas sobre a segurança de água e alimentos em ambientes corporativos. Segundo a prefeitura, 152 trabalhadores apresentaram sintomas gastrointestinais após consumirem refeições e água nas dependências da empresa do setor automotivo. As autoridades tratam o caso como um episódio de doença de transmissão hídrica e alimentar (DTHA), aguardando exames laboratoriais para indicar a origem do problema. As informações são do g1.
Como começou o surto que afetou trabalhadores na Hyundai Mobis?
Os primeiros casos foram confirmados no início da semana, com 81 pessoas relatando mal-estar, número que quase dobrou em poucos dias. Os relatos incluem diarreia, vômitos, dor abdominal e febre, sintomas típicos de contaminação por água ou alimentos, e que chamaram a atenção da Vigilância Epidemiológica.
A Vigilância Epidemiológica de Piracicaba classificou o episódio como surto de DTHA, termo usado quando duas ou mais pessoas desenvolvem sintomas semelhantes após consumir água ou alimentos provavelmente contaminados. No caso da Hyundai Mobis, 152 funcionários foram identificados como afetados, todos vinculados à unidade fabril instalada no distrito automotivo.
Quais são as possíveis causas investigadas pelas autoridades?
Nesse tipo de ocorrência, as causas podem estar ligadas a bactérias, vírus, parasitas ou toxinas presentes em alimentos prontos, bebidas ou água de consumo. Também são considerados fatores como falhas pontuais de manipulação, contaminação cruzada e condições de transporte ou armazenamento inadequadas.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e Região, Wagner da Silveira, o Juca, relatou quadros de maior e menor intensidade, de diarreia e vômitos severos a sintomas leves, em geral sem necessidade de internações prolongadas. O sindicato solicitou acesso aos laudos de água e alimentos servidos no período para verificar se houve falha específica ou outro fator que explique o aumento dos casos.
Quais foram as inspeções e medidas adotadas na Hyundai?
Embora o surto de doença de transmissão hídrica e alimentar esteja confirmado, a fiscalização preliminar não apontou irregularidades estruturais. Segundo a prefeitura, a Vigilância Sanitária inspecionou o restaurante corporativo e as instalações relacionadas à alimentação, constatando boas condições sanitárias e conformidade com as Boas Práticas de Manipulação de Alimentos.
Em paralelo, a Hyundai Mobis declarou ter adotado medidas preventivas adicionais para reduzir o risco de novos episódios e reforçar o controle sanitário nas dependências da unidade. Entre as ações comunicadas pela empresa estão iniciativas de higienização, revisão de cardápio e monitoramento da água utilizada no local:
- Desinfecção do restaurante corporativo e áreas de preparo de alimentos;
- Reformulação do cardápio, priorizando itens considerados de menor risco para contaminação;
- Verificação dos níveis de cloro em todos os bebedouros da unidade;
- Reforço dos procedimentos de higienização e desinfecção em todas as instalações;
- Monitoramento de atendimentos em hospitais e prontos-atendimentos da cidade.
A empresa ressaltou que toda a água para consumo humano e preparo de alimentos é proveniente do sistema público municipal de abastecimento, sem uso de poços ou fontes alternativas. Em muitos surtos hídricos, a origem da contaminação está em sistemas próprios ou reservatórios mal conservados, o que também é alvo de verificação técnica.
O que ainda falta esclarecer sobre a origem do surto?
A investigação epidemiológica segue aberta, conduzida pela Vigilância em conjunto com outros órgãos de saúde, para definir a fonte exata da contaminação. Foram coletadas amostras biológicas de funcionários e amostras de alimentos e água, enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, laboratório de referência em surtos alimentares no estado.
Enquanto se aguarda o resultado dos exames, são monitorados novos casos e atendimentos em serviços de saúde para fechar o quadro epidemiológico. Esse processo inclui levantamento de datas e horários das refeições, identificação de itens consumidos por quem teve sintomas e comparação com quem não apresentou queixas, cruzando dados clínicos, laboratoriais e de inspeção sanitária.