A apreensão do Café Torrado e Moído Extraforte e Tradicional da marca Câmara pela Anvisa levantou alertas sobre a segurança de alimentos comercializados no país, atingindo todos os lotes do produto após a identificação de origem desconhecida e da presença de fragmentos semelhantes a vidro em amostras analisadas, o que reforça o papel da vigilância sanitária e a importância de o consumidor estar atento às informações presentes nas embalagens.
Quais são os problemas de origem e contaminação do café Câmara?
De acordo com informações oficiais, o café Câmara indicava na embalagem empresas fabricantes que não estavam regulares junto aos órgãos competentes, o que já configura grave irregularidade sanitária. Esse cenário, somado ao laudo emitido pelo Lacen/RJ apontando a existência de corpo estranho no lote 160229, motivou a proibição de fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e uso do produto em todo o território nacional.
A medida vale para todas as unidades, independentemente do ponto de venda ou canal de comercialização, incluindo mercados físicos, feiras e lojas virtuais. A apreensão busca evitar que o consumidor tenha contato com lotes potencialmente contaminados e sem qualquer garantia de qualidade ou rastreabilidade.
Quais são os riscos à saúde associados ao café Câmara?
A segurança do café Câmara tornou-se um tema central após a constatação de fragmentos semelhantes a vidro em amostras do produto, configurando risco físico direto ao consumidor. Corpos estranhos em alimentos podem causar cortes na boca, garganta e sistema digestivo, além de engasgos, perfurações e outros acidentes que exigem atendimento médico imediato.
Além da presença de partículas indevidas, o fato de o café ter origem desconhecida agrava o quadro, pois impede a verificação de boas práticas de fabricação e de controles de higiene. Sem fabricante regularizado, não há garantia sobre etapas como seleção de grãos, torra, moagem, armazenamento e transporte, essenciais para um café seguro para o consumo diário.
O que a Anvisa determinou sobre o café Câmara e outros produtos envolvidos?
No caso específico do café torrado e moído Câmara, a Anvisa determinou a apreensão de todos os lotes, bem como a proibição de fabricação, distribuição, comercialização, propaganda e uso em todo o país. A decisão foi baseada em portaria da vigilância em saúde do Rio de Janeiro e em laudos laboratoriais oficiais, com orientação para que estabelecimentos comerciais retirem o produto das prateleiras e distribuidores interrompam qualquer envio.
Paralelamente, a Agência também determinou o recolhimento de todos os alimentos e suplementos da empresa Axis Nutrition Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., após inspeção entre 15 e 17 de setembro apontar falhas graves nas boas práticas de fabricação. Outra medida foi a apreensão de todos os lotes do suplemento Whey Isomix Definition, da marca Proteus, devido a incompatibilidades nas informações de fabricante declaradas nos rótulos.
Quais irregularidades foram encontradas na Axis Nutrition?
Na empresa Axis Nutrition, a inspeção sanitária identificou um conjunto de falhas estruturais e de gestão que comprometem a segurança dos alimentos e suplementos produzidos. Diante desse cenário, a Anvisa determinou o recolhimento de todos os itens da marca para evitar riscos ao consumidor até que as não conformidades sejam sanadas.
- Ausência de responsável técnico legalmente habilitado pela empresa.
- Problemas no controle de qualidade da água potável utilizada na produção.
- Falta de registros adequados das operações e fluxo de produção cruzado.
- Programa de Controle de Alergênicos (PCAL) incompleto ou impreciso.
- Ausência de rastreabilidade de produtos e matérias-primas.
- Critérios falhos de seleção das matérias-primas utilizadas.
- Falta de controle de qualidade e de estudos de estabilidade dos produtos acabados.
Outra medida foi a apreensão de todos os lotes do suplemento Whey Isomix Definition, da marca Proteus, após verificações indicarem divergências graves nas informações de rotulagem. A Nutrimix A. Suplementos SLU constava como fabricante, mas a Unlimited Alimentos e Suplementos SLU, verdadeira responsável pelo produto, informou que a produção estava interrompida desde o início de 2024 e que não mantinha relação com a empresa citada nos rótulos.
Como identificar e denunciar alimentos e suplementos irregulares?
A identificação de produtos irregulares começa pela leitura atenta dos rótulos, especialmente em itens como café, suplementos alimentares, proteínas em pó e outros produtos de consumo frequente. Sinais como dados incompletos, ausência de CNPJ ou promessas exageradas de benefícios devem acender um alerta no consumidor, que pode checar informações em canais oficiais.
- Conferir se há CNPJ, razão social e endereço do fabricante claramente indicados.
- Verificar se o produto possui registro ou notificação na Anvisa, quando aplicável à categoria.
- Observar prazo de validade, lote, modo de uso e declaração de ingredientes e alergênicos.
- Desconfiar de rótulos com informações contraditórias, incompletas ou com empresas desconhecidas.
- Em caso de dúvida, consultar o site da Anvisa ou da vigilância sanitária local.
Quando há suspeita de irregularidade, como origem duvidosa, alteração de rótulo, presença de corpos estranhos, textura ou odor atípicos, o produto pode ser denunciado diretamente à Anvisa. A Agência disponibiliza canais como a Ouvidoria e a Central de Atendimento telefônico (0800 642 9782) para receber relatos de consumidores, profissionais de saúde e estabelecimentos comerciais, reforçando que a fiscalização continua ativa em 2025 e que a participação do público é essencial para a proteção da saúde coletiva.