O Tribunal de Justiça de Mato Grosso consolidou que receber transferência bancária errada e recusar a devolução gera dever de indenizar. A decisão recente ordenou o ressarcimento de R$ 50 mil e fixou multa de R$ 10 mil por danos morais ante a comprovada má-fé.
Não devolver dinheiro recebido por engano é apropriação indébita?
A retenção consciente de valores que não lhe pertencem configura apropriação indébita e fere o princípio da boa-fé. O entendimento jurídico é de que manter o dinheiro em conta após ser avisado do erro constitui ato ilícito passível de punição.
Justificativas como a existência de dívidas antigas para compensar o valor não possuem validade legal sem acordo prévio. A lei protege o proprietário original do recurso e exige a imediata restituição para evitar o enriquecimento sem causa do beneficiário acidental.
Quando cabe indenização por danos morais na devolução de dinheiro?
A condenação por danos morais ocorre quando fica comprovada a resistência injustificada e a má-fé do recebedor em resolver a questão. No caso julgado, ignorar as tentativas de contato amigável foi determinante para o tribunal endurecer a sentença.
O judiciário utiliza provas documentais, como extratos e trocas de mensagens, para verificar a intenção de lesar o patrimônio alheio. Essa penalidade financeira serve para desestimular comportamentos que obriguem a vítima a recorrer à justiça por algo evidente.
Como recuperar dinheiro transferido errado pelo Pix ou TED?
Embora a decisão cite uma transferência tradicional, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix é a via mais ágil para esses casos atualmente. O Banco Central oferece diretrizes específicas para que as instituições financeiras bloqueiem cautelarmente os fundos em disputa.
A agilidade na comunicação do erro é o fator mais crítico para o sucesso do estorno administrativo antes da via judicial. Para quem cometeu o equívoco, seguir um protocolo de ação imediata aumenta consideravelmente as chances de recuperação:
- Contatar o banco oficial imediatamente para relatar a falha e acionar o bloqueio cautelar dos fundos.
- Formalizar um Boletim de Ocorrência detalhando a operação para criar um registro oficial do fato.
- Armazenar capturas de tela e comprovantes que demonstrem a tentativa de resolução pacífica com o recebedor.
Quais os riscos legais de manter dinheiro de terceiros em conta?
A jurisprudência atual deixa claro que a tentativa de “dar uma de esperto” resulta em prejuízos financeiros maiores que o valor retido. Quem se apropria de recurso alheio enfrenta processos civis e criminais que mancham o histórico e geram dívidas acumuladas.
- O pagamento final incluirá juros de mora e correção monetária contados desde o dia do recebimento indevido.
- A recusa em devolver pode evoluir para inquérito policial dependendo das circunstâncias da apropriação.
- Acompanhar decisões judiciais sobre transações financeiras protege seu patrimônio contra erros e abusos.
Leia também: Justiça manda devolver Pix enviado por engano e ainda fixa indenização de R$ 3.500 por danos morais