A liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento marca mais um capítulo no processo de intervenção do Banco Central em instituições ligadas ao chamado Conglomerado Master. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (21/1), decorre do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, de sua insolvência e do vínculo direto com o Banco Master S.A., liquidado em novembro de 2025, em um contexto que envolve um grupo de pequeno porte, mas com atuação diversificada em crédito.
Por que o Banco Central decretou a liquidação da Will Financeira?
A liquidação extrajudicial foi justificada como consequência de um quadro de insolvência e de deterioração financeira, incompatível com a continuidade das operações. A instituição descumpriu a grade de pagamentos junto ao arranjo de pagamentos Mastercard, o que levou ao bloqueio de sua participação nesse sistema e acendeu um alerta sobre sua capacidade de honrar compromissos imediatos.
Além disso, o Banco Central ressaltou o vínculo de interesse com o Banco Master S.A., já sob liquidação e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial. Embora o Conglomerado Master detivesse apenas cerca de 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional em 2025, a combinação entre insolvência, descumprimento de obrigações e conexão societária exigiu uma resposta ampliada do regulador para mitigar riscos de contágio.
Qual o papel do Conglomerado Master e de Daniel Vorcaro no caso?
O Conglomerado Master era liderado pelo Banco Master S.A., instituição de crédito diversificado com atuação em várias frentes de financiamento. A Will Financeira integrava esse grupo por meio de seus controladores, entre eles o próprio Banco Master e empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, apontado pelo Banco Central como figura central no exercício do poder de controle sobre a financeira.
Além de Vorcaro, figuravam como controladores da Will Financeira a Will Holding Financeira S.A., a Master Holding Financeira S.A., a 133 Investimentos e Participações Ltda., além de Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen. Com a decretação da liquidação, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores, medida que busca resguardar futuras reparações e facilitar a apuração de responsabilidades civis, administrativas e penais.
Como funciona a liquidação extrajudicial?
A liquidação extrajudicial é um regime em que o Banco Central afasta os antigos administradores e transfere a gestão da instituição para um liquidante. Esse profissional recebe poderes para levantar ativos, identificar passivos, encerrar contratos e organizar o pagamento de credores, seguindo a ordem de prioridade definida em lei e evitando desorganização no sistema financeiro.
No caso da Will Financeira, o Banco Central nomeou como liquidante o mesmo profissional responsável pela liquidação do Banco Master, Eduardo Bianchini, facilitando a coordenação entre as entidades do conglomerado. Nesses processos, normalmente são observadas etapas padronizadas, que estruturam a condução da liquidação e o atendimento aos credores:
- Levantamento detalhado de ativos e passivos da instituição;
- Verificação e classificação de credores segundo a legislação;
- Alienação de ativos para obtenção de recursos;
- Distribuição de valores conforme a ordem legal de preferência;
- Encerramento formal das atividades após os pagamentos possíveis.
Quais são os impactos da liquidação da Will Financeira?
Apesar de o Conglomerado Master representar fração pequena dos ativos e captações do Sistema Financeiro Nacional, a liquidação da Will Financeira reforça a estratégia de supervisão voltada a prevenir riscos de contágio. A menção explícita ao descumprimento da grade de pagamentos com a bandeira Mastercard demonstra a preocupação com a estabilidade dos fluxos de pagamentos, essenciais para o funcionamento cotidiano da economia.
A atuação do Banco Central combina instrumentos como Regime de Administração Especial Temporária (RAET), liquidação extrajudicial e bloqueio de bens para isolar problemas e proteger o sistema como um todo. Para o público, o episódio ilustra como a supervisão prudencial é acionada mesmo em conglomerados de pequeno porte, reforçando a confiança em arranjos de pagamento e no crédito.