O café está tão presente no dia a dia brasileiro que, muitas vezes, passa despercebido o tamanho da estrutura que existe por trás de uma simples xícara. Da plantação ao mercado, o grão movimenta produtores, transportadoras, indústrias e pontos de venda, exigindo fiscalização rigorosa para que o produto final seja adequado ao consumo do café, dentro dos padrões sanitários e com informações claras no rótulo.
Como funciona a fiscalização da Anvisa sobre o café?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária estabelece limites para contaminantes químicos e microbiológicos, define critérios de boas práticas de fabricação e determina regras de rotulagem para cafés torrados, moídos, solúveis e produtos similares. Essas orientações se aplicam a indústrias de diferentes portes, desde pequenas torrefadoras até grandes marcas nacionais.
Na prática, a Anvisa atua de forma articulada com vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, estimulando denúncias e reclamações de consumidores. Quando há indícios de irregularidades, podem ser coletadas amostras para análise em laboratório, o que permite rastrear problemas de contaminação, adulteração ou falhas de rotulagem de maneira sistemática.
Quais medidas a Anvisa pode adotar em caso de irregularidades no café?
Quando algum lote ultrapassa limites de impurezas, apresenta microrganismos fora do padrão ou traz informações enganosas no rótulo, a Anvisa pode adotar diferentes medidas corretivas e preventivas. Essas ações buscam proteger a saúde pública e orientar tanto empresas quanto consumidores sobre riscos identificados:
- Publicação de alertas e notas técnicas para orientar a população;
- Determinação de recolhimento de lotes específicos do mercado;
- Suspensão temporária da fabricação ou venda de determinados produtos;
- Exigência de ajustes na rotulagem e no processo produtivo;
- Monitoramento posterior para verificar a manutenção das correções.
Quais órgãos são responsáveis pelo controle de qualidade do café no Brasil?
A fiscalização do café no Brasil é compartilhada entre Anvisa e Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com funções complementares ao longo da cadeia produtiva. Enquanto o MAPA acompanha desde a lavoura até a matéria-prima entrar na indústria, a Anvisa foca no alimento pronto para consumo e nos aspectos sanitários.
O MAPA define padrões de identidade e qualidade, como teor de umidade, pureza e classificação do grão, além de limites de impurezas físicas. Técnicos do ministério podem inspecionar lavouras, armazéns, cooperativas, torrefadoras e empresas que exportam ou importam café, reduzindo a chance de produtos inadequados chegarem à indústria.
Como a fiscalização da Anvisa impacta o consumo de café?
Os efeitos diretos da fiscalização aparecem no momento da compra, quando recolhimentos de lotes ou suspensões são divulgados em canais oficiais e na imprensa. Isso permite que a população identifique quais produtos devem ser evitados, devolvidos ao ponto de venda ou substituídos por outras marcas em conformidade.
As normas da Anvisa também influenciam a forma como as empresas formulam, armazenam e embalam seus produtos, exigindo controle de qualidade interno, rastreabilidade e treinamento de equipes. Esse processo tende a elevar o padrão médio do mercado, inclusive em marcas regionais ou de menor porte, fortalecendo a confiança do consumidor.
Quais foram as ações recentes da Anvisa sobre o café?
Em 2025, a Anvisa e o MAPA monitoraram diferentes marcas, identificando matérias estranhas acima do permitido, uso de ingredientes não declarados e problemas de higiene em linhas de produção. Em alguns casos, as empresas só retomaram as vendas após comprovar correções estruturais e adequações às normas vigentes.
Um caso de destaque foi o recolhimento de pós para preparo de bebida sabor café das marcas Oficial do Brasil, Melissa e Pingo Preto, em razão de ocratoxina A, cascas e resíduos de café rotulados de forma incorreta. As irregularidades envolveram uso de matéria-prima imprópria, falhas em boas práticas de fabricação e rotulagem capaz de induzir o consumidor a erro sobre a natureza real do produto